FROC promove debate baseado em evidência científica

Em Portugal, um estudo recente realizado pelo Hospital Pediátrico de Coimbra revela que 22% dos inquiridos utilizam terapêuticas não medicamente prescritas, embora existam evidências de que este valor possa ser, na realidade, mais elevado. E confirma ainda que, muitas vezes, esta adesão não é partilhada com as equipas de saúde, levantando preocupações legítimas ao nível da segurança dos tratamentos e da saúde das crianças. Num contexto em que a informação é frequentemente fragmentada, pouco clara e, por vezes, assente em abordagens sem base científica, a FROC assume um papel ativo: “promover o diálogo e criar um espaço para que este tema comece a ser abordado de forma estruturada e segura (com base na evidência científica)”, explica Catarina Mendes Martins.
Apesar de, como refere, “os pais, perante situações de grande fragilidade dos filhos, tenderem a recorrer a tudo o que possa ‘prometer’ melhorias no tratamento ou na qualidade de vida, nem sempre se sentem à vontade para abordar o tema em contexto de consulta. Existe, muitas vezes, o receio de julgamento por parte dos profissionais de saúde ou a perceção de que esta informação não é relevante para o médico”. Do lado dos médicos, existe “dificuldade em abordar terapias para as quais não conhecem evidência científica. Torna-se assim essencial promover a discussão sobre o tema e fomentar a comunicação entre famílias e profissionais de saúde.
Para a FROC, é clara a necessidade de “acesso à informação credível sobre o tema; abertura para os pais poderem levar à consulta as opções terapêuticas que consideram potencialmente benéficas para o seu filho e, com o apoio do médico, avaliarem se faz sentido recorrer a essas terapias. E é ainda necessário apoio na distinção entre o que pode efetivamente ser benéfico e o que pode interferir com o tratamento ou comprometer a saúde da criança”. Até porque, tendo em conta o “impacto profundo na criança e na família, e existindo evidência de que abordagens complementares podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida (bem-estar físico e emocional), é de interesse das famílias poderem recorrer a elas”.
De acordo com Catarina Mendes Martins, “as terapias complementares, como a acupuntura, a aromaterapia, as massagens, o yoga, o mindfulness, o reiki, entre outras, podem ajudar a lidar com os sintomas associados à doença e aos efeitos secundários dos tratamentos - dores, náuseas, stress, ansiedade.”, contribuindo ainda “para a melhoria da qualidade do sono e do bem-estar geral, com impacto positivo no equilíbrio emocional da criança e dos seus cuidadores”. Mas tudo isto “sempre numa perspetiva complementar aos cuidados médicos convencionais”.
O Seminário vai ainda contar com um painel dedicado às terapias para a reabilitação das crianças com doença oncológica, durante e após o tratamento, assim como à apresentação do projeto vencedor da 9ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium bcp e do anúncio do vencedor e menções honrosas da 10ª edição.
