Famílias com orçamento até 1500 euros acabam a pagar mais por vaga em residência sénior

De acordo com os dados analisados, 52% das colocações relativas a famílias com um orçamento até 1500 euros ultrapassam o limite financeiro inicialmente estabelecido. Apenas 48% conseguem encontrar uma resposta dentro do valor previsto. Esta dificuldade, naturalmente, diminui à medida que aumenta o orçamento. Entre as famílias que podem pagar entre 1501 e 2000 euros mensais, cerca de um terço (32%) ainda ultrapassa o orçamento. Esta percentagem desce para 22% entre os 2001 e os 2500 euros e para 12% no escalão entre 2501 e 3000 euros. Nos orçamentos iguais ou superiores a 3001 euros, 98% das colocações conseguem ser concretizadas dentro do valor inicialmente previsto.
Os resultados revelam uma forte pressão sobre as famílias com menor capacidade financeira, precisamente aquelas que representam a maioria esmagadora da procura. Nove em cada dez pedidos analisados têm um orçamento máximo de 2000 euros mensais. Os pedidos acima dos 2500 euros representam apenas 4% do total.
Apesar da pressão financeira, os dados da Via Senior dão conta de que metade das colocações é concretizada no prazo máximo de 15 dias e 87% acontece no espaço de um mês.
Estes prazos demonstram a urgência das famílias quando iniciam a procura de uma residência para o idoso. O processo começa quando já enfrentam uma necessidade imediata de resposta, na sequência de um agravamento do estado de saúde, perda de autonomia ou quando a permanência no domicílio deixa de ser a melhor solução para o idoso. Em 78 por cento dos casos, o familiar já se apresenta com alguma limitação de autonomia: 17% são totalmente dependentes e 61% são semi-dependentes, com situações que podem implicar dificuldades na mobilidade, na gestão da medicação, na realização de tarefas quotidianas ou na garantia de supervisão regular.
São os filhos quem assume, na grande maioria dos casos, a responsabilidade de encontrar uma solução residencial para os familiares idosos. Sete em cada dez contactos realizados para procurar uma residência sénior são realizados pelos filhos (60%), genros ou noras (10%).
Em contraste, apenas 4% dos pedidos são iniciados pelos próprios idosos, confirmando que a procura de uma estrutura residencial é sobretudo uma decisão gerida e amadurecida em contexto familiar.
Quase nove em cada dez procuram solução permanente
A procura é, na esmagadora maioria dos casos, definitiva. Um total de 88% dos pedidos destina-se a uma solução permanente, enquanto apenas 12% procuram uma estadia temporária.
O peso das soluções permanentes reforça a importância da decisão para as famílias, que têm frequentemente de encontrar, num espaço de poucas semanas, uma resposta capaz de assegurar cuidados continuados durante vários anos.
O distrito de Lisboa concentra 49% de todos os pedidos de procura de residências sénior analisados, muito acima de qualquer outra região do país. O Porto surge em segundo lugar, com 14%, seguido de Setúbal, com 12%. Em conjunto, os três distritos representam três quartos da procura nacional registada e acompanham a concentração populacional nos grandes centros urbanos.
A grande maioria dos idosos associados aos pedidos encontra-se nas faixas etárias mais avançadas. Um total de 86% tem 75 ou mais anos, sendo o grupo entre os 85 e os 94 anos o mais representado, com 44% do total. Os idosos entre os 75 e os 84 anos representam 37% dos pedidos e as pessoas com 95 ou mais anos correspondem a 5%.
As mulheres são também largamente maioritárias, representando 63% dos utentes associados aos pedidos, contra 37% de homens.
Para Nuno Saraiva de Ponte, CEO da Via Senior, este primeiro ‘Barómetro da Procura de Residências Sénior em Portugal’ vem complementar e reforçar a importância do ‘Retrato das Residências Sénior em Portugal’, já na quarta edição, para compreender o setor na sua totalidade.
“Os resultados agora obtidos neste barómetro revelam que a procura de uma residência para um familiar idoso é cada vez mais marcada por três fatores: a urgência, a perda de autonomia e a capacidade financeira limitada das famílias”, afirma Nuno Saraiva de Ponte.
Perante este cenário de famílias em dificuldades, com orçamentos limitados, e de um Estado sem resposta pública imediata, Nuno Saraiva de Ponte reforça a urgência de Portugal adotar um sistema de apoio direto aos agregados familiares semelhante ao já testado e em funcionamento em Espanha, a ‘Prestación Económica Vinculada al Servicio’ (PEVS), integrada na Lei da Dependência.
O valor deste ‘Cheque Sénior’ varia em função dos rendimentos do agregado familiar, do grau de dependência física ou cognitiva do idoso e do custo da resposta necessária. Isto significa que as famílias de menores rendimentos recebem comparticipações mais elevadas e que os idosos com maior dependência (física ou psicológica) têm apoio reforçado. Desta forma, muitos agregados, atualmente excluídos de apoios sociais, mas incapazes de suportar, integralmente, as mensalidades das Residências, poderiam finalmente aceder a soluções dignas e seguras.
O Barómetro da Procura de Residências Sénior em Portugal foi elaborado com base na análise dos pedidos de procura e das colocações registados pela Via Senior ao longo de 2025, a partir da informação disponível na respetiva base de dados interna. Os dados foram tratados pela BA&N Research Unit de forma agregada e anonimizada, com o objetivo de identificar tendências, perfis predominantes e padrões de procura por estruturas residenciais para pessoas idosas em Portugal.
