Excesso de peso afeta cada vez mais os cães e gatos e continua a ser desvalorizado pelos cuidadores

Estudos realizados em Portugal indicam que cerca de 40% dos cães adultos apresentam excesso de peso ou obesidade1. Apesar da prevalência elevada, a identificação do problema continua a ser um desafio: dados recentes mostram que 35% dos cuidadores subestimam a condição corporal do próprio animal quando comparada com a avaliação veterinária2.
Mais do que uma questão estética, o excesso de peso compromete significativamente a qualidade de vida dos animais. Nos cães, pode reduzir progressivamente a capacidade de exercício, limitar a mobilidade e afetar a vitalidade. Nos gatos, o aumento de peso pode dificultar movimentos essenciais, comprometer o autocuidado e aumentar o risco de desenvolvimento de outras doenças.
Uma condição associada a várias doenças
A obesidade está associada a várias complicações clínicas, incluindo diabetes, doenças articulares e osteoarticulares, dificuldades respiratórias e problemas cardiovasculares. O excesso de gordura corporal pode também agravar doenças já existentes, aumentar o desgaste articular e dificultar atividades simples do dia a dia 2.
“O aumento de peso nos animais acontece muitas vezes de forma gradual, o que leva muitos cuidadores a normalizarem a situação ou a não reconhecerem os sinais de alerta atempadamente. A ausência de cintura visível, a dificuldade em sentir as costelas ao toque, menor disposição para brincar ou passear e alterações na mobilidade são alguns dos sinais que devem motivar uma avaliação médico-veterinária”, explica Joana Alegrete, diretora clínica do AniCura Aveiro Hospital Veterinário.
A obesidade pode ainda funcionar como fator de risco para outras patologias. O excesso de gordura corporal aumenta a probabilidade de resistência à insulina e, consequentemente, de diabetes, além de sobrecarregar o sistema cardiovascular e acentuar problemas articulares, sobretudo em animais mais idosos.
Os erros mais comuns entre os cuidadores
São vários os fatores que contribuem para o aumento de peso nos animais, sendo os mais frequentes:
- Oferta excessiva de alimento e falta de controlo das porções;
- Consumo frequente de snacks e restos de comida;
- Ausência de exercício físico regular;
- Perceção incorreta da condição corporal do animal, que atrasa o reconhecimento precoce do problema.
A esterilização é outro dos fatores frequentemente associados ao aumento de peso nos animais. “É importante sublinhar que a cirurgia, por si só, não provoca obesidade. Após a esterilização, podem existir alterações nas necessidades energéticas do animal, sendo importante ajustar a alimentação e garantir atividade física adequada”, sublinha Joana Alegrete.
Prevenção e acompanhamento
A prevenção continua a ser o melhor caminho para evitar o excesso de peso nos animais de companhia. O acompanhamento médico-veterinário regular é essencial para monitorizar a condição corporal do animal, ajustar as suas necessidades nutricionais e identificar precocemente alterações de peso antes do aparecimento de complicações associadas.
Referências
- Payan-Carreira, R., Sargo, T., & Nascimento, M. M. (2015). Canine obesity in Portugal: Perceptions on occurrence and treatment determinants. Acta Veterinaria Scandinavica, 57(Suppl 1), P8. https://doi.org/10.1186/1751-0147-57-S1-P8
- Quinn, R., & Quain, A. (2026). Overweight and obesity in dogs and cats: An exploration of animal welfare and behaviour impacts, and recommendations for management in veterinary primary care. Animals, 16(8), 1204. https://doi.org/10.3390/ani16081204
