VII Congresso da Associação Portuguesa de Ciências Forenses

Especialistas Forenses querem ter estatuto próprio e discutem possibilidade de uma Ordem Profissional

Criar um estatuto próprio do Especialista Forense e abordar a possibilidade de criação de uma Ordem Profissional. Este é o principal objetivo do VII Congresso da Associação Portuguesa de Ciências Forenses (APCF), que se realiza a 4 e 5 de dezembro, no Porto.

“As palestras são pensadas para trazer profissionais das ciências forenses e aumentar a capacidade de resposta de profissionais nos tribunais. Existe muito amadorismo de quem se apresenta como perito, não o sendo, e os cidadãos ficam muito desprotegidos”, refere o presidente da APCF, Ricardo Dinis Oliveira. Para o também professor catedrático e Coordenador do 1º Ciclo de Estudos em Ciências Forenses, na CESPU, “as pessoas autointitulam-se e a palavra perito banalizou-se, pelo que é necessário afirmar a profissionalização da Ciência Forense, através de um estatuto próprio e certificação dos especialistas. O passo seguinte, que também será debatido no congresso, é a possibilidade de criação da Ordem Profissional dos Especialistas Forenses.

A Ciência Forense inclui já cerca de três dezenas de subespecialidades, da toxicologia, à entomologia, sinistralidade rodoviária, lofoscopia, antropologia, genética, balística, entre muitas outras. Tendo em vista a afirmação pública da profissão e a certificação de áreas tão técnicas, a APCF desenvolveu nos últimos anos, com o apoio dos primeiros especialistas doutorados nestas áreas no país, um trabalho de escrita das guidelines que definem as competências gerais e o código de ética do especialista forense, estando também já em fase avançada a elaboração específica das proficiências destas cerca de 30 subespecialidades.

Durante o próximo ano, pretende-se continuar a apresentar o projeto a todos os grupos parlamentares.

A Reformulação da Atividade Pericial em Portugal: Das Ciências Forenses à Ciência Forense, é o tema do congresso, que conta já com cerca de 260 inscritos, e que se realizará no E2S na Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto (Rua Dr. António Bernardino de Almeida nº 400, 4200-072 Porto).

Entre os temas abordados, num programa que pode ser consultado na íntegra aqui, está a investigação na cena do crime, o crime fiscal e económico, a veterinária forense e a psicologia forense.

Nos dois dias de trabalho também se vai discutir o papel da Inteligência Artificial para aumentar a capacidade destes especialistas e a sua utilização no seio das forças de segurança. Geoffrey Stewart Morrison, do Forensic Data Science Laboratory da Aston University, vai apresentar as mais atuais práticas internacionais na área das Ciências Forenses.

“Este é um congresso marco que assinala os 10 anos de existência da APCF, fundada em 2015, e que se tem sempre preocupado com a evidência científica de apoio à prova pericial”, afirma Ricardo Dinis Oliveira.

 

Fonte: 
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Nota: 
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