Equipa da UMinho destaca potencial de proteínas para terapias antitumorais

Uma equipa coordenada pelo Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho analisou evidências de que certas proteínas ajudam as células malignas a sobreviver e a desenvolver-se, podendo constituir alvos para futuras terapias.
A revisão científica foi agora publicada na “Physiological Reviews”, a revista com maior impacto mundial na área da fisiologia. O artigo é assinado por Julieta Afonso, Joana Pereira-Vieira e Fátima Baltazar, do ICVS da Escola de Medicina da UMinho, a par de colegas do IPO-Porto, da Universidade Politécnica do Porto e do Hospital de Câncer de Barretos (Brasil).
O trabalho avalia o papel das proteínas chamadas transportadores de monocarboxilatos (MCT), que permitem às células transportar moléculas como o lactato, envolvido na produção e utilização de energia e na regulação do ambiente celular. Embora este processo seja essencial para o funcionamento normal das células, as células malignas podem aproveitar os mesmos mecanismos para sustentar o seu crescimento rápido. Os MCTs ajudam-nas a gerir as grandes quantidades de lactato que produzem, a manter o metabolismo e a adaptar-se ao microambiente tumoral.
Travar a adaptação dos tumores
As autoras abordam o papel dessas proteínas nos tecidos saudáveis e o seu envolvimento na progressão do cancro e na resistência aos tratamentos. Discutem ainda o potencial desses transportadores como alvos terapêuticos e os desafios até à sua prática clínica. Embora existam inibidores em fase inicial de avaliação clínica, é preciso mais investigação e validação para determinar em que tipos de tumor estas abordagens poderão ser eficazes.
O trabalho contribui assim para o estudo do metabolismo do cancro e do papel do lactato na biologia do tumor, aproximando a investigação fundamental da procura de novas estratégias terapêuticas.
