Diagnóstico precoce permite curar até 90% dos doentes com cancro da cabeça e pescoço

Promovida pela European Head and Neck Society (EHNS) e coordenada em Portugal pelo Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP), a Make Sense conta também com o apoio do ator Rui Santos, que dá a cara pela campanha e partilha o seu testemunho enquanto pessoa que viveu um diagnóstico de cancro na língua.
O diagnóstico precoce continua a ser o principal aliado no combate ao cancro da cabeça e pescoço. Quando a doença é identificada numa fase inicial, as probabilidades de cura podem atingir os 90%. No entanto, cerca de 60% dos doentes continuam a ser diagnosticados em fases avançadas (estádios III e IV), O que tem um impacto significativo no prognóstico, no tratamento e na qualidade de vida. A sobrevivência a cinco anos pode atingir 83% no estádio I, mas desce para 28% no estádio IV.
"Apesar dos avanços registados no diagnóstico e tratamento, continuamos a assistir a um número demasiado elevado de doentes diagnosticados em fases avançadas. Precisamos de atuar em diferentes momentos do percurso: aumentar o conhecimento sobre os sinais de alerta, promover a procura atempada de cuidados e assegurar uma referenciação adequada. Garantir os cuidados certos no momento certo pode fazer a diferença nos resultados e na qualidade de vida dos doentes.", afirma Cláudia Vieira, médica oncologista e presidente do GECCP.
Rui Santos dá a cara pela Make Sense 2026
Rui Santos partilha a sua experiência enquanto pessoa que viveu um diagnóstico de cancro na língua. O seu testemunho pretende aproximar a realidade da doença da população e reforçar a importância de não desvalorizar sinais persistentes e de procurar ajuda atempadamente.
Ao associar a sua experiência pessoal à campanha, Rui Santos dá também rosto ao mote da edição de 2026, “Os cuidados certos no momento certo”, que procura chamar a atenção para a importância de um percurso adequado desde os primeiros sinais até ao diagnóstico, referenciação e tratamento.
Do primeiro sintoma ao tratamento: um percurso ainda marcado por desigualdades
A investigação europeia desenvolvida no âmbito da Make Sense identificou barreiras estruturais e geográficas ao diagnóstico precoce, à referenciação atempada e ao acesso aos cuidados adequados. Entre os desafios identificados estão diferenças no tempo até ao diagnóstico – que pode variar entre duas semanas e seis meses –, percursos de referenciação inconsistentes e desigualdade no acesso a especialistas e a equipas multidisciplinares.
É sobre estes pontos críticos que a edição de 2026 pretende atuar, com especial atenção ao diagnóstico e referenciação precoces e à prestação de cuidados coordenados aos doentes com doença avançada.
Ao longo da semana, estão previstas iniciativas dirigidas à população, aos doentes e aos profissionais de saúde, com foco no diagnóstico precoce, fatores de risco, formação e experiência dos doentes.
Programa de Atividades
21 a 25 de setembro | Hospital CUF Tejo
• Rastreio para o Diagnóstico Precoce do Cancro da Cabeça e Pescoço
21 de setembro | 14h15 | Escola Secundária Augusto Cabrita, Barreiro
• Ação de Sensibilização sobre Cancro da Cabeça e do Pescoço – Dirigida a alunos do ensino secundário, com o objetivo de promover a literacia em saúde e a deteção precoce da doença.
22 de setembro | 09h30-13h30 | IPO do Porto
• Rastreio para o Diagnóstico Precoce do Cancro da Cabeça e Pescoço – Dirigido à população em geral.
22 de setembro | 21h00 | Evento virtual
• Webinar “O Desafio do Cancro Avançado da Tiróide” - Destinado a profissionais das áreas de Oncologia, Cirurgia, Anatomia Patológica, Citologia e outros interessados na área dos tumores da cabeça e pescoço.
25 de setembro | Instituto Português de Oncologia de Coimbra
• Curso de Formação em Cancro da Cabeça e Pescoço: Da Teoria à Prática Clínica Multidisciplinar - Destinado a Médicos Internos e Jovens Especialistas.
25 de setembro | 19h00 | Parque das Merendas da Casa do Pessoal dos HUC, Coimbra
• Aula de Wellness & Fitness - Atividade aberta à população, com exercícios de fitness e bem-estar em dinâmica de grupo, orientada pelo professor Bruno Benedito.
26 de setembro | Instituto Português de Oncologia de Coimbra
• 16.º Simpósio Nacional de Cancro da Cabeça e Pescoço: “Horizontes 2026: O Ano em Revista” - Encontro multidisciplinar dirigido a Médicos Internos e Médicos Especialistas de todas as áreas envolvidas no tratamento do cancro da cabeça e pescoço.
28 de setembro | 08h30-13h00 | IPO de Lisboa
• Rastreio para o Diagnóstico Precoce do Cancro da Cabeça e Pescoço - Dirigido à população em geral.
Apesar de ser o sétimo tipo de cancro mais frequente na Europa, continua a ser uma doença pouco conhecida
Todos os anos são diagnosticados em Portugal entre 2.500 e 3.000 novos casos de cancro da cabeça e pescoço. A doença engloba um conjunto de tumores que podem surgir na cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal e seios perinasais, afetando estruturas fundamentais para funções como a fala, a respiração, a deglutição e a alimentação.
Os principais fatores de risco continuam a ser o consumo de tabaco, o consumo excessivo de álcool e a infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV). Entre os sinais de alerta mais frequentes encontram-se úlceras na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor de garganta, dificuldade ou dor ao engolir, alterações da voz, nódulos no pescoço e obstrução nasal unilateral. Sempre que estes sintomas persistam durante mais de três semanas, é fundamental procurar avaliação médica.
"Grande parte do impacto desta doença pode ser reduzido através da prevenção e do diagnóstico precoce. Reduzir os fatores de risco, promover estilos de vida saudáveis, incentivar a vacinação contra o HPV e aumentar o conhecimento da população sobre os sinais de alerta são medidas fundamentais para que mais doentes cheguem ao tratamento numa fase em que as probabilidades de cura são significativamente superiores”, declara Cláudia Vieira.
Mais informações disponíveis no site da campanha: https://makesensecampaign.eu/
