"Desafio do paracetamol" nas redes sociais

O paracetamol é um fármaco eficaz e seguro quando usado corretamente, mas a sobredosagem pode provocar lesão hepática grave, por vezes irreversível, com necessidade de internamento urgente, cuidados intensivos e, nos casos mais extremos, transplante hepático.
É crucial sublinhar que, nas primeiras horas, e até no primeiro dia, pode não haver sintomas relevantes. Essa aparente normalidade é enganadora e leva a atrasos perigosos no tratamento.
Doses usuais e limites de segurança (regra geral):
Adultos e adolescentes: 500 mg a 000 mg por toma, com intervalos mínimos de 4 a 6 horas. Nunca ultrapassar a dose máxima diária indicada no folheto do medicamento. Em muitas apresentações o máximo é 4 g/24h. Deve evitar-se a duplicação inadvertida com antigripais e combinações analgésicas que também contêm paracetamol, assim como a ingestão de bebidas alcoólicas.
Crianças: a dose deve ser sempre ajustada ao peso e à formulação pediátrica. Como referência clínica comum, 15 mg/kg por toma, a cada 4–6 horas, com máximo de 60 mg/kg/dia.
A partir de que ponto é perigoso?
Considera-se potencialmente tóxica uma ingestão única na ordem de ≥150 mg/kg (aproximadamente 7,5–10 g num adulto) e também a sobredosagem faseada (várias tomas acima do recomendado num curto período), sobretudo em pessoas com doença hepática, doença renal, consumo de álcool, baixo peso, jejum prolongado ou desnutrição.
Consequências possíveis: insuficiência hepática aguda, alterações graves da coagulação, hipoglicemia, encefalopatia, lesão renal aguda e morte.
O que fazer perante suspeita de excesso?
Não esperar por sintomas. Contactar imediatamente o CIAV INEM 800 250 250 (gratuito) e, em situação de emergência, ligar 112 e recorrer ao Serviço de Urgência.
A Direção Executiva do SNS (DE-SNS) e Unidades Locais de Saúde (ULS) devem estar alertadas e preparadas para responder a qualquer quadro clínico.
A Ordem dos Médicos apela a pais, autoridades, escolas e plataformas digitais para sinalizarem e removerem estes conteúdos, reforçarem a literacia em segurança do medicamento e protegerem especialmente os mais jovens.
