Como ajudar cães e gatos a adaptarem-se ao horário de inverno

No próximo domingo, 25 de outubro, Portugal Continental e a Madeira mudam para o horário de inverno, atrasando os relógios uma hora. Nos Açores, a alteração ocorre também nessa madrugada, mas à 1h00, hora local. Embora esta mudança permita ganhar uma hora de sono, cães e gatos podem precisar de algum tempo para se adaptarem aos novos horários de alimentação, passeios, brincadeiras e descanso.
Ao contrário dos seres humanos, os animais não organizam o seu dia com base no relógio, mas orientam-se pela luz natural, pelos hábitos dos seus cuidadores e pelas rotinas do dia a dia. Por isso, a mudança da hora pode alterar temporariamente algumas das suas referências habituais, sobretudo nos primeiros dias.
“Mesmo quando a alteração é de apenas uma hora, alguns animais podem notar que as atividades a que estão habituados passam a acontecer mais cedo ou mais tarde. Manter alguma regularidade nos horários e introduzir ajustes de forma gradual pode ajudar a facilitar esta transição”, explica Lília Pereira, médica veterinária do AniCura +Ani+ Hospital Veterinário.
Alterações no apetite, no descanso e no comportamento
Para um animal habituado a comer, passear ou brincar sempre à mesma hora, uma alteração na rotina pode traduzir-se em pequenas mudanças no comportamento. Entre os sinais que os cuidadores podem observar estão uma maior insistência na hora de pedir comida, alterações nos períodos de descanso, inquietação em determinados momentos do dia ou variações nos níveis de atividade.
Nos gatos, importa também estar atento a possíveis mudanças nos hábitos de brincadeira, na interação com os cuidadores ou na utilização da caixa de areia.
Nem todos os animais reagem da mesma forma. A idade, o estado de saúde, o temperamento e a sensibilidade às mudanças de rotina podem influenciar a adaptação. Os animais mais velhos, sobretudo aqueles que apresentam alterações cognitivas ou problemas de sono, podem precisar de atenção adicional.
“Conhecer o comportamento habitual de cada animal é essencial para perceber se existe alguma alteração relevante. Se as mudanças forem persistentes ou surgirem outros sintomas, é importante procurar aconselhamento veterinário, em vez de atribuir automaticamente essas alterações à mudança da hora”, acrescenta Lília Pereira.
Como acompanhar a adaptação à mudança da hora
A adaptação ao horário de inverno não exige necessariamente mudanças significativas na rotina dos animais. Sempre que os horários das refeições, dos passeios ou das brincadeiras precisem de ser ajustados, os cuidadores podem introduzir essas alterações de forma progressiva, evitando mudanças bruscas no quotidiano. Manter referências familiares, como a sequência das atividades e os momentos de interação, pode ajudar a tornar a transição mais natural.
Nos dias seguintes à mudança da hora, importa observar se o animal mantém os seus hábitos habituais. Pedir comida mais cedo ou mostrar-se mais ativo num determinado momento do dia pode refletir uma adaptação aos novos horários. No entanto, alterações persistentes no apetite, no descanso ou no comportamento não devem ser atribuídas automaticamente à mudança da hora.
Cada animal tem o seu próprio ritmo de adaptação, pelo que a atenção dos cuidadores deve centrar-se nas suas necessidades individuais. Se surgirem alterações significativas ou outros sinais de mal-estar, é aconselhável procurar orientação médico-veterinária.
A mudança da hora não tem de representar uma dificuldade significativa para os animais de companhia. Manter alguma regularidade nos hábitos e estar atento às necessidades de cada animal são medidas que ajudam a facilitar a adaptação ao horário de inverno.
