COVID-19

Campanha lembra que o vírus continua presente e alerta para a importância da vacinação

A Associação RESPIRA - Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas e o Movimento Doentes pela Vacinação - MOVA, com o apoio da HIPRA Portugal, lançam uma campanha nacional de sensibilização, sob o mote “Se não quer voltar a parar, é altura de se vacinar”, para a importância da vacinação contra a COVID-19.

A pandemia ficou para trás, mas a COVID-19 continua presente e a representar uma ameaça à saúde. Para recordar que o vírus não desapareceu e que a vacinação continua a ser fundamental para prevenir as formas mais graves da doença, o MOVA e a Associação RESPIRA lançam a campanha “Se não quer voltar a parar, é altura de se vacinar”.

A campanha parte de uma mensagem simples, mas poderosa: ninguém quer voltar a parar a sua vida por causa da COVID-19. Depois de um período marcado por confinamentos, isolamento e interrupção das rotinas, a iniciativa recupera a memória coletiva da pandemia para alertar para uma realidade que continua atual. Embora já não estejamos perante confinamentos generalizados, uma infeção por COVID-19 pode obrigar a uma paragem individual, com consequências para a saúde, a autonomia, o trabalho, a vida familiar e o bem-estar.

A infeção por COVID-19 continua a poder provocar complicações graves, hospitalizações e, em determinadas situações, consequências prolongadas para a saúde. A vacinação mantém-se, por isso, como uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de doença grave e proteger especialmente quem apresenta maior vulnerabilidade.

A iniciativa surge num contexto em que a diminuição da perceção do risco e a crescente hesitação vacinal constituem desafios importantes para a saúde pública. A própria Direção-Geral da Saúde (DGS) tem vindo a alertar para a redução da adesão à vacinação contra a COVID-19, numa altura em que a desinformação e a ideia de que a doença deixou de ser preocupante podem comprometer a proteção das populações mais vulneráveis.

Além disso, é importante destacar que em Portugal, 42,3% das pessoas com 16 ou mais anos declararam ter uma doença crónica ou um problema de saúde prolongado, de acordo com dados do Eurostat em 2024. Este indicador coloca Portugal entre os países da União Europeia com maior proporção de pessoas a viver com problemas de saúde prolongados e evidencia a importância de reforçar as estratégias de prevenção.

Para quem vive com doenças respiratórias crónicas, diabetes, doenças cardiovasculares ou determinadas condições de imunossupressão, uma infeção por COVID-19 pode representar muito mais do que alguns dias de mau-estar. Pode desencadear complicações, agravar doenças preexistentes, comprometer a estabilidade clínica e conduzir a internamentos hospitalares.

“A COVID-19 não desapareceu e não podemos confundir o fim da emergência pandémica com o fim do risco associado à doença. Sabemos que as pessoas com determinadas doenças crónicas, nomeadamente respiratórias e cardiovasculares, apresentam maior vulnerabilidade a complicações graves. Uma infeção pode comprometer o equilíbrio de uma doença até então controlada e ter consequências significativas na qualidade de vida. Mesmo a população saudável, pode desenvolver complicações e precisar de maior resguardo domiciliário, com necessidade de faltar ao trabalho, aos seus compromissos profissionais e sociais. A vacinação continua por isso a ser uma ferramenta essencial de prevenção. Proteger é evitar sofrimento, hospitalizações e interrupções que podem ter um impacto profundo nas nossas vidas”, sublinha Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista e diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

A campanha pretende também combater a ideia de que a vacinação é uma preocupação exclusiva das pessoas mais velhas. A COVID-19 pode afetar pessoas de diferentes idades e, embora o risco de doença grave não seja igual para todos, a presença de determinadas patologias pode aumentar a vulnerabilidade, mesmo em adultos mais jovens.

Por isso, a iniciativa procura sensibilizar toda a população para a importância de manter uma atitude preventiva e de conhecer as recomendações de vacinação aplicáveis à sua idade e condição clínica.

“Durante a pandemia, todos sentimos o que significa ter a vida suspensa. Deixámos de estar com a família, de trabalhar normalmente, de viajar e de fazer tantas coisas que fazem parte do nosso dia a dia. Hoje, ninguém quer voltar a parar. Mas, para uma pessoa com doença crónica, uma infeção por COVID-19 pode significar precisamente isso, uma interrupção da sua vida, por vezes com consequências muito sérias. É esta realidade que queremos recordar com a campanha. A vacinação não é apenas uma questão de prevenir a doença grave, é também uma forma de proteger a autonomia, a qualidade de vida e o direito de cada pessoa continuar a viver plenamente”, afirma José Albino, presidente da Associação RESPIRA e coordenador do MOVA.

A proteção conferida pela vacinação é particularmente relevante nas populações vulneráveis, contribuindo para reduzir o risco de complicações graves, hospitalização e morte. Ao mesmo tempo, ajuda a preservar a estabilidade clínica e a autonomia, permitindo que as pessoas continuem a desenvolver as suas atividades quotidianas com maior segurança.

O Presidente da RESPIRA e Coordenador do MOVA reforça ainda a necessidade de combater a desinformação e de garantir que a vacinação chegue efetivamente a quem dela mais necessita.

“Portugal tem uma história de sucesso na vacinação infantil, mas precisamos de construir a mesma cultura de prevenção na idade adulta. A vacinação deve ser encarada como um investimento na saúde ao longo de toda a vida. Não podemos permitir que a desinformação, a falta de perceção do risco ou as dificuldades de acesso deixem as pessoas mais vulneráveis desprotegidas. A saúde não pode ser um privilégio. É um direito, e a vacinação é uma das formas mais importantes de o garantir”, acrescenta José Albino.

Apesar dos benefícios demonstrados da vacinação, a diminuição da adesão à vacina contra a COVID-19 constitui um motivo de preocupação. A Direção-Geral da Saúde reconheceu recentemente a existência de fenómenos de hesitação vacinal, nacionais e internacionais, e alertou para a necessidade de reforçar a comunicação e combater a desinformação.

Esta realidade ganha particular importância com a chegada dos meses de maior circulação de vírus respiratórios, período em que habitualmente aumenta a pressão sobre os cuidados de saúde primários e os serviços de urgência hospitalar.

A mensagem da Campanha não pretende sugerir o regresso a confinamentos coletivos, mas recordar que a COVID-19 continua a ter o potencial de interromper a vida de cada pessoa individualmente. Parar pode significar deixar de trabalhar, cancelar planos, afastar-se da família, interromper atividades ou enfrentar um período de recuperação prolongado.

O MOVA e a RESPIRA consideram fundamental continuar a promover a literacia em saúde e a sensibilização para a vacinação, incentivando as pessoas a esclarecer dúvidas junto dos profissionais de saúde e a verificar a sua elegibilidade de acordo com as recomendações em vigor.

 

Fonte: 
Guesswhat
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.