Apenas 18% dos tutores recorrem ao veterinário antes de surgir um problema

A análise, realizada junto de 483 tutores, confirma que existe consciência sobre a importância do acompanhamento veterinário, mas persistem barreiras económicas, emocionais e de acesso que dificultam a transição para uma lógica preventiva. A desparasitação e a vacinação continuam a ser os principais motores de deslocação à clínica, enquanto check-ups regulares, exames de rotina e avaliações comportamentais permanecem subutilizados.
A procura por especialização médico-veterinária está a aumentar e os tutores demonstram elevada confiança nos veterinários como fontes de recomendação e orientação. Contudo, o estudo identifica fricções relevantes na experiência clínica, desde o preço percebido como elevado até ao stress dos animais durante a visita, especialmente em contextos não adaptados a diferentes espécies.
A crescente adoção de serviços veterinários ao domicílio — já utilizada por 39% dos tutores — revela um interesse claro por modelos de cuidado mais convenientes e menos stressantes, particularmente para animais ansiosos ou com mobilidade reduzida. Este comportamento sugere que a prevenção poderá ganhar força quando acompanhada de soluções que reduzam fricções logísticas e emocionais para tutores e animais.
“A saúde animal está, paulatinamente, a aproximar-se do modelo humano: mais especializada, digital e centrada na qualidade de vida. A transição já começou, mas exige literacia, acessibilidade e uma experiência clínica mais empática e adaptada às necessidades reais das famílias com animais”, explica Bernardo Soares, médico veterinário e One Health Diretor da UPPartner.
O estudo indica ainda um potencial significativo para a expansão de seguros de saúde animal, atualmente com apenas 15% de adesão, mas com 40% de intenção futura. Esta evolução poderá desempenhar um papel decisivo na democratização do acesso à prevenção, na previsibilidade financeira e na adoção de cuidados continuados.
Para a UPPartner, estes resultados demonstram que Portugal se encontra num momento de transição: os tutores valorizam cada vez mais a saúde e o bem-estar dos animais, mas o sistema ainda não acompanha plenamente essa predisposição. A prevenção está a ganhar espaço e pode definir a próxima etapa do mercado, desde que acompanhada de informação clara, inovação clínica e novas soluções acessíveis.
