Doença Coronária

APDP apela a políticas integradas para travar o risco cardiovascular associado à diabetes

No âmbito do Dia Mundial da Doença Coronária, que se assinala a 14 de fevereiro, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) alerta para a necessidade urgente de uma abordagem integrada no combate às doenças cardiovasculares, reforçando a sua intrínseca relação com a diabetes.

Recentemente, o Prof. João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP e Chair-Elect da IDF Europa, destacou, no Parlamento Europeu, o enorme peso que a diabetes e a obesidade representam para as pessoas e para os sistemas de saúde. No debate, apelou a uma maior ambição por parte dos decisores políticos, sublinhando que oportunidades como o "Safe Hearts Plan" devem ser aproveitadas para enfrentar a diabetes, a obesidade e o seu impacto na doença cardiovascular, através de uma melhor prevenção e de cuidados de saúde mais eficientes.

Em linha com este compromisso, a APDP manifesta o seu apoio à iniciativa "Pulsar Portugal", um projeto conjunto da Sociedade Portuguesa de Diabetologia e da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que vai acompanhar e caracterizar a saúde metabólica e cardiovascular da população portuguesa, e à petição lançada esta semana pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que reforça a importância do acesso aos fármacos agonistas do recetor GLP-1 para a prevenção cardiovascular em pessoas com obesidade.

"A diabetes e as doenças cardiovasculares, incluindo a doença coronária, partilham uma ligação perigosa que não pode ser ignorada", afirma o Prof. João Filipe Raposo, acrescentando que "precisamos de estratégias de saúde pública que não tratem estas condições de forma isolada, mas que reconheçam a sua sobreposição."

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, e os dados indicam que uma elevada percentagem da população está em risco. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), Portugal apresenta uma das mais altas taxas de prevalência de diabetes na Europa, condição que multiplica o risco de desenvolver eventos cardiovasculares. Esta dupla ameaça exige uma resposta robusta e coordenada por parte de todo o sistema de saúde, desde a prevenção primária até ao acesso a terapêuticas que comprovadamente reduzem o risco cardiovascular.

"Encarar a diabetes como um fator de risco major para as doenças do coração é o primeiro passo para uma estratégia de prevenção eficaz. Na APDP, defendemos que a luta contra estas patologias crónicas tem de ser uma prioridade nacional", frisa José Manuel Boavida, presidente da APDP. "Acreditamos que, trabalhando em conjunto com as autoridades de saúde, sociedades científicas e outros parceiros, podemos reverter as estatísticas preocupantes e melhorar significativamente a saúde e o bem-estar dos portugueses. Estamos disponíveis para contribuir ativamente para a construção de soluções sustentáveis."

A APDP apela, assim, a que o Dia Mundial da Doença Coronária sirva de catalisador para uma reflexão séria e para a implementação de políticas que abordem de forma integrada a diabetes e o risco cardiovascular, construindo um futuro mais saudável para as próximas gerações.

 

Fonte: 
Burson
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
ShutterStock