APCL reúne especialistas, doentes e decisores para olhar para o futuro da hemato-oncologia em Portugal

Como está a hemato-oncologia em Portugal? Que desafios persistem no acesso à inovação? Como garantir um acesso mais equitativo às terapias avançadas? E como apoiar quem vive durante mais tempo com uma doença hemato-oncológica?
São algumas das questões que estarão em cima da mesa nas 7.as Jornadas Nacionais APCL 2026, uma iniciativa que pretende colocar a pessoa com cancro do sangue no centro da discussão e promover um espaço de informação, partilha e proximidade entre doentes, cuidadores, profissionais de saúde e decisores.
Com o mote “Uma jornada para a pessoa com cancro do sangue”, o encontro realiza-se no sábado, 24 de outubro, na Fundação Champalimaud, e terá um formato híbrido, permitindo a participação presencial e o acompanhamento online a partir de todo o país.
Da realidade atual ao futuro da hemato-oncologia
O programa arranca às 9h00 com a sessão de abertura, seguindo-se uma análise ao estado atual da hemato-oncologia em Portugal, com particular atenção às questões da sobrevivência, do diagnóstico e aos desafios que se colocam à especialidade. A sessão será conduzida por Fernando Leal da Costa, hematologista do IPO Lisboa.
A manhã prossegue com um debate sobre o futuro da saúde em Portugal, nomeadamente através do Plano Nacional de Doenças Oncológicas (PNDO), da digitalização e do acesso à inovação. O painel reúne representantes da Direção-Geral da Saúde, da SPMS e do Infarmed, colocando em discussão diferentes dimensões da transformação dos cuidados de saúde.
Investigação clínica: porque participam tão poucos doentes?
Outro dos temas em destaque será a investigação clínica em Portugal. A sessão pretende abordar a participação dos doentes em ensaios clínicos e discutir as razões que poderão estar na origem da reduzida participação de doentes portugueses, bem como o que poderá ser feito para alterar esta realidade.
A perspetiva dos profissionais será complementada pelo testemunho de um doente participante num ensaio clínico, trazendo para o debate a experiência de quem viveu este processo na primeira pessoa.
Terapias CAR-T: acesso, financiamento e valor em saúde
As terapias CAR-T terão um lugar central nas jornadas. Depois de uma apresentação das conclusões do Policy Paper “Proposta para o Financiamento das Terapias CAR-T no SNS”, será promovido um debate sobre o acesso equitativo a estas terapias, o seu financiamento sustentável e o respetivo valor em saúde.
A sessão contará com a participação de hematologistas, de um economista da saúde e do Presidente da APCL, permitindo cruzar diferentes perspetivas sobre um dos temas mais relevantes da inovação em hemato-oncologia.
Viver com uma doença hemato-oncológica: o desafio da cronicidade
Se a manhã estará particularmente centrada no sistema de saúde, na inovação e na investigação, a tarde coloca o foco na experiência de quem vive com uma doença hemato-oncológica.
A cronicidade e a gestão dos efeitos secundários tardios serão abordadas numa perspetiva multidisciplinar, envolvendo hematologia, medicina interna, medicina geral e familiar e enfermagem.
Também os próprios doentes terão voz ativa. Na sessão “Testemunhos na primeira pessoa: O que eu não sabia quando me diagnosticaram e o lado positivo do meu percurso”, cinco pessoas com diferentes doenças hemato-oncológicas irão partilhar as suas experiências.
Leucemia linfocítica crónica, neoplasia mieloproliferativa, linfoma de Hodgkin, leucemia aguda e mieloma múltiplo estarão representados nesta sessão, que pretende trazer para o centro do debate a realidade vivida para além do diagnóstico.
Comunicação e literacia: capacitar o doente
A relação entre comunicação, humanização e literacia em saúde será outro dos temas em destaque. Psicologia clínica, medicina geral e familiar e enfermagem estarão representadas num painel dedicado à importância de comunicar em saúde e de capacitar os doentes.
A programação inclui ainda uma sessão sobre tomada de decisão partilhada, com a apresentação do conceito e um painel que reúne profissionais de saúde e uma doente com mieloma múltiplo.
Conhecer direitos e saber navegar no sistema de saúde
Para muitas pessoas confrontadas com um diagnóstico de cancro do sangue, conhecer os seus direitos e saber a que apoios podem recorrer é também uma parte importante do percurso.
Por isso, as jornadas terminam com uma sessão dedicada a direitos e apoios para o doente hemato-oncológico, incluindo informação prática sobre como navegar no sistema, atualizações sobre direitos e apoios e uma abordagem ao Mecanismo Nacional de Monitorização da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
O programa termina com uma sessão de humor, antes do encerramento das jornadas, previsto para as 17h55.
Um encontro centrado na pessoa
Mais do que um espaço de discussão científica, as 7.as Jornadas Nacionais APCL procuram promover uma abordagem abrangente às doenças hemato-oncológicas, aproximando conhecimento, inovação, experiência dos doentes e participação.
A iniciativa destina-se a doentes, cuidadores e profissionais de saúde e terá lugar na Fundação Champalimaud, em Lisboa, com participação presencial e online.
A inscrição é obrigatória e tem um valor de 10 euros, sujeito a donativo. As inscrições podem ser efetuadas através da APCL.
7.as Jornadas Nacionais APCL 2026
24 de outubro de 2026 | Fundação Champalimaud, Lisboa
Formato híbrido | Presencial e online
Informações e inscrições: www.apcl.pt | 213 422 204
