1.º Congresso Internacional de Reabilitação Respiratória junta especialistas para debater os desafios no acesso a este tratamento

A falta de acessibilidade aos programas é um problema global, não apenas português, daí a aposta na realização de um congresso de âmbito internacional e que reúna todas as disciplinas que trabalham na área da reabilitação respiratória. Pneumologistas, fisiatras, cardiologistas, médicos de Medicina Geral e Familiar, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, nutricionistas, fisiologistas do exercício e técnicos cardiopneumologistas são alguns dos profissionais esperados.
Dar mais voz à reabilitação respiratória em Portugal e ajudar a sinalizar este tema junto dos vários stakeholders que têm capacidade para promover mudanças concretas, nomeadamente em termos do aumento da acessibilidade, são também objetivos para este congresso, uma vez que “os hospitais, por si só, não conseguem dar resposta a todas as necessidades. Mesmo em termos de financiamento e de recursos humanos, não é possível que a responsabilidade recaia exclusivamente sobre os hospitais do Serviço Nacional de Saúde”.
Apesar da pouca acessibilidade, “a reabilitação respiratória é um tratamento não farmacológico fundamental na abordagem das doenças respiratórias”, referem os médicos pneumologistas. Bruno Cabrita e Carlos Figueiredo acrescentam que “atualmente, praticamente qualquer doente com patologia respiratória crónica, e também alguns com patologia aguda, já apresenta evidência de benefício com a reabilitação respiratória. Existem determinadas doenças que reúnem mais evidência e que têm sido muito discutidas ao longo dos últimos anos, nomeadamente a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica), no entanto, hoje em dia, também já existe evidência no cancro do pulmão, nas doenças do interstício pulmonar, nas bronquiectasias, na asma, nas doenças da pleura, entre outras”.
Com todas as vagas disponíveis já esgotadas, os organizadores esperam que o 1.º Congresso Internacional de Reabilitação Respiratória seja “o primeiro passo de um percurso longo. A nossa ambição é que esta se torne uma reunião anual, de excelência, que se mantenha multidisciplinar e com uma forte componente internacional”.
Quanto à escolha dos palestrantes, com uma vasta experiência na área da reabilitação respiratória, vai permitir a partilha de diferentes realidades e, ao mesmo tempo, ambiciona-se que este Congresso “possa também incentivar alguns participantes que ainda não têm programas de reabilitação respiratória a criar novas iniciativas, inspirados pelo que irão aprender e discutir durante o encontro”.
Há ainda uma particularidade deste evento: os eventuais lucros obtidos serão direcionados para a aquisição de equipamento e para o fortalecimento de Unidades de Reabilitação Respiratória. “Já temos identificados quais são os equipamentos necessários para que esses programas possam ser criados ou desenvolvidos e, dessa forma muito prática, aumentar a rede de reabilitação respiratória em Portugal. Acreditamos que é um contributo muito concreto e útil, que poderá deixar uma marca, ainda que pequena, mas que ajudará a ampliar a rede de reabilitação e a apoiar cada vez mais doentes”, concluem Bruno Cabrita e Carlos Figueiredo.
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