Hospitalização Domiciliária: que estratégia para a próxima década?

Olga Gonçalves, coordenadora do NEHospDom, destaca o papel do congresso enquanto espaço de encontro e debate entre as equipas de hospitalização domiciliária de todo o país. “Foi possível rever o caminho percorrido, recobrar fôlego e equacionar como ser e fazer hospitalização domiciliária doravante”, afirmou.
Entre as principais conclusões retiradas do encontro está a avaliação positiva do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos dez anos. Segundo Olga Gonçalves, a atividade em hospitalização domiciliária tem demonstrado “muita qualidade”, é sustentável, conta com a aprovação dos doentes e cuidadores e com “o profundo agrado dos elementos das equipas”. O congresso evidenciou também um consenso quanto à necessidade de aumentar o número de doentes abrangidos pela HD, bem como, diversificando os procedimentos realizados no domicílio, promover uma forma complementar de tratamento hospitalar em casa sem carecer de internamento.
A necessidade de rever o enquadramento da hospitalização domiciliária foi outra das conclusões destacadas pela coordenadora do NEHospDom. “Urge uma reformulação dos Documentos que regem a HD, nomeadamente a NOC 020/2018, dado o percurso transcorrido, a experiência atingida e os desafios vigentes”, defende. Entre as medidas apontadas está também a criação da hospitalização domiciliária pediátrica. “É tempo da criação da HD Pediátrica”, afirma Olga Gonçalves, sustentando esta posição nos bons resultados das admissões pediátricas já realizadas em território nacional. O NEHospDom considera igualmente “imperioso” concretizar a interação entre o Coordenador Nacional de HD, a respetiva equipa técnica e as Unidades de Hospitalização Domiciliária, confirmando e concretizando os objetivos para os quais foram designados em setembro de 2025.
A evolução da hospitalização domiciliária em Portugal é marcada, segundo a responsável, por duas fases distintas. “Se os primeiros anos da HD se caraterizaram por uma rápida criação de Unidades e pela expansão da HD a praticamente a todo o país, regista-se agora uma indesejável ‘estabilização’ da abrangência assistencial das Unidades”, refere. Perante este cenário, considera necessária uma “(re)definição da estratégia nacional HD.
Entre os principais constrangimentos identificados pelas equipas estão a sua reduzida dimensão face ao trabalho a desenvolver, as carências logísticas e a necessidade de melhores recursos tecnológicos. Olga Gonçalves aponta a falta de espaços adequados para que os profissionais se possam preparar para as visitas domiciliárias, reunir e observar doentes, bem como a necessidade de meios de deslocação aos domicílios e de “adequado suporte tecnológico que auxilie os profissionais nas suas tarefas”. A responsável considera ainda importante uma melhor divulgação da atividade das Unidades entre os próprios profissionais de saúde e defende que é necessário um conhecimento “presencial e circunstanciado” destes condicionantes da afirmação e do crescimento das equipas.
O congresso serviu também para apresentar experiências e discutir caminhos que poderão ser replicados ou adaptados por outras unidades de saúde. Entre os temas destacados estiveram a “transformação digital do cuidado num hospital sem paredes”, as parcerias e a articulação com autarquias e instituições particulares de solidariedade social (IPSS), o papel dos cuidadores informais e a necessidade de integrar a hospitalização domiciliária no “percurso único do doente no sistema de saúde”. Para Olga Gonçalves, todos estes temas constituem “efetivos pontos de arranque para o papel que nos cabe desempenhar a partir de agora”.
Depois do congresso, o NEHospDom define como objetivos principais a atingir: uma resposta rápida e efetiva da Coordenação Nacional de Hospitalização Domiciliária e a revisão da NOC 020/2018. O Núcleo pretende igualmente reforçar a importância da inclusão de um estágio de hospitalização domiciliária na formação dos internos de Medicina Interna, recordando que “a HD é para os Internistas a sua modalidade de internamento hospitalar”. Prosseguir o trabalho de formação das equipas, promover a formação dos cuidadores informais e continuar a divulgar o trabalho desenvolvido são outras das prioridades identificadas.
O próximo Congresso Nacional de Hospitalização Domiciliária já tem data e local definidos: o 7.º CNHD decorrerá a 22 e 23 de outubro de 2027, em Vila do Conde.
