Dia Mundial da Saúde Mental, 10 outubro

Quem cuida dos animais também precisa de cuidar de si

Comunicar diagnósticos difíceis, lidar com o sofrimento animal e tomar decisões sobre os limites do tratamento fazem parte de uma profissão que exige não só conhecimento clínico, mas também uma forte capacidade emocional.

Quando um animal entra numa clínica ou num hospital veterinário, a atenção está naturalmente centrada no seu diagnóstico, tratamento e recuperação. Mas, do outro lado, estão profissionais que acompanham diariamente situações de doença, dor, urgência e, por vezes, perda. Para os médicos veterinários, cuidar de um animal de companhia implica também lidar com a preocupação e as expectativas dos seus cuidadores e com decisões que podem ser emocionalmente exigentes.

Esta realidade tem vindo a ser reconhecida como uma questão relevante para a saúde e o bem-estar dos próprios profissionais. Um estudo nacional realizado com 833 profissionais veterinários em Portugal revelou que 27,4% relatam burnout e 27,7% fadiga por compaixão, enquanto 17,2% experienciam depressão extremamente grave. A nível europeu, 91% dos veterinários descrevem-se como stressados e 23% já se ausentaram do trabalho por mais de duas semanas devido a depressão, esgotamento ou fadiga de compaixão.1

 

Há decisões para as quais não existe uma resposta simples

Uma das dimensões mais exigentes da profissão surge quando é necessário comunicar que um animal tem uma doença grave, que o prognóstico é reservado ou que determinado tratamento não teve o resultado esperado. Nestes momentos, o médico veterinário precisa de transmitir informação clínica complexa, mas também de acompanhar um cuidador que pode não estar preparado para aquilo que está a ouvir.

A situação pode tornar-se ainda mais difícil quando é necessário discutir até onde faz sentido avançar com o tratamento. Os avanços da medicina veterinária permitem hoje tratar doenças e prolongar a vida dos animais em situações que anteriormente teriam poucas opções terapêuticas. No entanto, nem sempre prolongar o tratamento significa melhorar a qualidade de vida.

É nestas situações que a componente emocional da profissão se cruza diretamente com a responsabilidade clínica. O veterinário tem de tomar decisões baseadas na avaliação médica, mas também precisa de comunicar essas decisões, gerir expectativas e acompanhar emocionalmente a família.

 

Quando o sofrimento passa a fazer parte da rotina

Estas situações não acontecem de forma isolada. Ao longo da sua atividade, os profissionais veterinários acompanham casos que podem prolongar-se durante semanas ou meses e estabelecem, muitas vezes, relações próximas com os animais e os seus cuidadores. Por isso, os momentos de agravamento da doença ou de perda podem assumir uma dimensão particularmente exigente.

A exposição continuada a estas situações pode também ter impacto nos próprios profissionais, sobretudo quando existe uma relação próxima com o animal e a sua família. Reconhecer esse impacto não significa retirar importância à componente técnica da profissão, mas compreender que cuidar também implica lidar com emoções, tanto próprias como das pessoas que acompanham o animal.

 

Cuidar de quem cuida

Promover o bem-estar das equipas veterinárias passa também por criar condições para que os profissionais possam partilhar experiências, procurar ajuda quando necessário e desenvolver ferramentas para lidar com situações particularmente exigentes. Neste sentido, a AniCura assume o compromisso de acompanhar os seus profissionais, disponibilizando diversas formas de apoio para promover o seu bem-estar e ajudá-los a lidar com os desafios emocionais associados à profissão.

 

Referência

  1. Peixoto, M. M. (2025). Suicide risk in veterinary professionals in Portugal: Prevalence of psychological symptoms, burnout, and compassion fatigue. Archives of Suicide Research.
Fonte: 
Atrevia
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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