Associação reúne mais de 9500 assinaturas pelos cuidados paliativos

Em Portugal, mais de 150 mil pessoas vivem anualmente com sofrimento associado a doença grave, progressiva e incurável. Destas, entre 70 a 85 mil morrem todos os anos sem acesso a cuidados paliativos. Na pediatria, onde existem necessidades tão particulares, a situação é ainda mais alarmante com cerca de 90% das crianças com necessidade de cuidados paliativos a continuarem sem acesso, num sofrimento que se prolonga sem alívio.
Como refere a Presidente da APCP (enfermeira Catarina Pazes), “num momento em que a Ministra da Saúde anuncia medidas, em particular ao nível da reorganização das urgências do Serviço Nacional de Saúde, recordamos que a pressão sobre as urgências está diretamente ligada ao não investimento consistente e equitativo nos cuidados paliativos. Uma parte significativa das pessoas que recorrem às urgências são doentes com doença crónica avançada e episódios de descompensação recorrentes, sem acesso a cuidados paliativos. É por isso tão urgente que os cuidados paliativos se tornem uma prioridade para o Ministério da Saúde, para que ninguém fique sem resposta, independente do local onde viva. Não podemos continuar a falhar enquanto sociedade com quem mais precisa, no momento de maior fragilidade. Nenhum sistema de saúde que se pretenda humano, equitativo e sustentável pode prescindir de uma resposta efetiva a quem necessita destes cuidados. É urgente aliviar o sofrimento e a criação de medidas concretas para esta área não pode continuar a ser adiada.”
E reforça “continuamos a aguardar a nomeação da Comissão Nacional dos Cuidados Paliativos, situação que continua a travar a tomada de decisões estruturantes. Temos um modelo estrutural que não responde às necessidades dos doentes. É unanimemente reconhecida a urgência de alargar o acesso a estes cuidados, mas a área permanece num atraso estrutural, sem conseguir dar resposta a quem dele necessita. Infelizmente, os cuidados paliativos continuam a não ser considerados prioritários, uma situação que consideramos inaceitável”.
A petição apela a um compromisso concreto da parte do governo, exigindo para tal:
1. A expansão das equipas comunitárias e intra-hospitalares de cuidados paliativos em todo o território nacional;
2. O reforço da Rede Nacional de Cuidados Paliativos, através do aumento de camas e respostas especializadas para adultos e crianças, tanto em hospitais de agudos como na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados;
3. A criação de incentivos e condições de fixação para profissionais especializados;
4. O reconhecimento oficial da Medicina Paliativa como especialidade médica autónoma;
5. O investimento estruturado na formação dos profissionais de saúde em Cuidados Paliativos.
A APCP reforça a sua total disponibilidade para colaborar com as entidades decisoras e reguladoras na procura de soluções concretas, para que quem necessita de acesso aos cuidados paliativos não tenha de continuar à espera.
