Como ajudar os animais que se habituaram a estar sempre acompanhados

Que sinais devem merecer atenção?
Nos cães, a dificuldade em ficar sozinho pode manifestar-se através do ladrar, uivar ou ganir de forma persistente, da destruição de objetos, da agitação, das tentativas de fuga ou da incapacidade em acalmar-se após a saída do cuidador. Urinar ou defecar dentro de casa, alterações no apetite ou comportamentos repetitivos são também sinais a observar.
Nos gatos, os sinais podem ser menos evidentes, incluindo a vocalização excessiva, o esconder-se, as alterações no apetite, o urinar fora da caixa de areia, o arranhar das portas ou das janelas ou o lamber do pelo de forma exagerada. Seguir constantemente o cuidador ou apresentar alterações marcadas na interação com a família também podem justificar atenção.
Nem todos estes comportamentos significam ansiedade de separação. A frequência, intensidade e contexto em que surgem são importantes para perceber a sua origem.
“Durante o verão, é comum que os animais passem mais tempo com os seus cuidadores, tenham horários diferentes ou estejam mais envolvidos nas atividades da família. Quando a rotina muda novamente, alguns podem demonstrar maior dificuldade em lidar com a ausência. É importante estar atento a alterações persistentes no comportamento e perceber o que está na sua origem”, explica Susana Beira, Medical Business Partner de Anicura Portugal.
Uma adaptação gradual pode fazer a diferença
Para ajudar o animal a recuperar a rotina, os cuidadores podem começar por introduzir progressivamente períodos em que fica sozinho, evitando mudanças demasiado bruscas. Manter horários previsíveis para alimentação, passeios, descanso e brincadeira também podem ajudar o animal a recuperar uma rotina estável.
Durante os períodos de ausência, podem ainda ser disponibilizados brinquedos ou outras formas de enriquecimento adequadas, proporcionando ao animal estímulos e atividades ao longo do dia.
Mais do que compensar as horas de ausência com atenção constante, o objetivo deve ser criar uma rotina equilibrada, em que o animal tenha momentos de interação com a família, mas também consiga descansar e permanecer sozinho de forma tranquila.
Quando procurar ajuda profissional?
É aconselhável procurar apoio médico-veterinário quando os sinais são intensos, persistentes ou interferem com o bem-estar do animal e da família. O médico veterinário poderá excluir causas médicas e, quando necessário, recomendar acompanhamento especializado em comportamento animal. Em situações mais graves, a intervenção pode incluir estratégias de modificação comportamental e, em alguns casos, medicação, sempre prescrita e acompanhada por um profissional.
“Cada animal tem a sua própria capacidade de adaptação e não existe uma estratégia única para todos. O mais importante é respeitar o seu ritmo, retomar as rotinas de forma progressiva e procurar ajuda quando os sinais persistem ou interferem significativamente com o seu bem-estar”, conclui Susana Beira.
