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14 portugueses recebem diagnóstico de cancro do pulmão Rastreio pode salvar vidas

Em média, por dia, 14 portugueses recebem um diagnóstico de cancro do pulmão. São cerca de 5.000 novos casos por ano. Apesar dos avanços sobre o conhecimento da doença, da existência de meios e técnicas de diagnóstico cada vez mais precisas e do aparecimento de tratamentos cada vez mais eficazes, o cancro do pulmão rouba a vida a cerca de 4500 portugueses, por ano. Porquê? Porque continuamos a chegar tarde.

Na data em que se assinala o Dia Mundial do Cancro do Pulmão - 1 de agosto -, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia alerta para a maior prioridade do momento: a criação de um programa de rastreio que permita detetar as lesões em fase ainda precoce e com acesso a terapêuticas curativas.

Joana Catarata e Daniela Madama, representantes da Comissão de Trabalho de Pneumologia Oncológica da Sociedade Portuguesa de Pneumologia lembram que o rastreio do cancro do pulmão por tomografia computorizada de baixa dose reduz a mortalidade. “Os principais estudos demonstraram reduções de cerca de 20% a 24%, com benefícios superiores em alguns grupos e em programas de maior duração. No estudo NELSON, a redução estimada da mortalidade foi de 61% nas mulheres, comparativamente com 24% nos homens. Em programas mantidos durante mais tempo, como é o caso do estudo MILD verificou-se uma redução de até 39% da mortalidade por cancro do pulmão ao fim de 10 anos”.

O diagnóstico precoce aumenta significativamente as possibilidades de tratamento curativo. “Até cerca de 70%–73% dos casos detetados por rastreio são identificados em fases iniciais, quando a cirurgia ou outros tratamentos com intenção curativa são viáveis — até 87,5%. Estes resultados têm sido associados a uma taxa de sobrevivência aos 10 anos de 80% e a um tempo médio de sobrevivência de 10,7 anos”, afirmam as médicas pneumologistas.

Existem critérios para a participação no programa de rastreio do cancro do pulmão. Este rastreio deve ser dirigido a pessoas com elevado risco, e não à população em geral. “A elegibilidade considera a idade e tabagismo (50-75 anos, fumadores ou ex-fumadores com carga tabágica igual ou superior a 20 unidades maço/ano)”. Contudo, os limites exatos devem ser adaptados à realidade epidemiológica e às orientações de cada país.

Relativamente ao método de rastreio, Joana Catarata e Daniela Madama explicam que, à luz das evidências mais atuais, “a tomografia computorizada de baixa dose é o método de eleição para detetar precocemente o cancro do pulmão, com uma exposição à radiação inferior à tomografia convencional”. As pneumologistas lembram ainda que as equipas de rastreio devem ser multidisciplinares e incluir uma decisão partilhada, que envolva a Pneumologia, a Radiologia, a Cirurgia Torácica, a Radio-Oncologia, a Oncologia e a Medicina Geral e Familiar.

A par da importância do rastreio do cancro do pulmão, as especialistas defendem que a cessação tabágica deve fazer parte da mesma estratégia de minimização do impacto epidemiológico do cancro do pulmão. “O apoio para deixar de fumar aumenta o número de mortes evitadas (cerca de 73%), acrescenta anos de vida e melhora a eficácia dos programas de rastreio. A integração da cessação tabágica no rastreio do cancro do pulmão pode aumentar em 13% as taxas de abandono do tabaco”. Contudo, o rastreio não substitui a cessação tabágica.

 

Rastreio é custo-efetivo e pode ajudar a diagnosticar outras doenças respiratórias

“O rastreio pode ser custo-efetivo quando dirigido à população certa”, afirmam Joana Catarata e Daniela Madama, justificando que a deteção precoce pode reduzir a necessidade de tratamentos complexos da doença avançada, evitar mortes prematuras e melhorar a utilização dos recursos de saúde. O benefício económico depende da integração adequada dos participantes, da adesão, da qualidade do programa e da integração da cessação tabágica.

Por outro lado, além do cancro do pulmão, o rastreio com TC de baixa dose pode também identificar outras doenças como o enfisema, alterações do interstício pulmonar, doença cardiovascular, entre outras, criando oportunidades adicionais de prevenção e tratamento.

Para assinalar o Dia Mundial do Cancro do Pulmão – 1 de agosto – a Sociedade Portuguesa de Pneumologia está a preparar vários conteúdos de sensibilização para a importância do programa de rastreio nacional que serão partilhados nas redes sociais e nos canais oficiais da SPP.

 

Fonte: 
RXConsulting
Nota: 
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