Início do verão marca período de maior risco de exposição

Filtros orgânicos e inorgânicos: O que muda nos protetores solares?

Especialistas da ESSATLA esclarecem a diferença entre os diferentes tipos de filtros dos protetores solares, desvendando mitos e verdades.

Os dias quentes e longos de verão vieram para ficar e, com eles, existe, inevitavelmente, um maior risco de exposição solar. Apesar de haver uma consciência generalizada para medidas de fotoproteção, os protetores solares continuam a suscitar algumas dúvidas quanto à sua atuação. Com o intuito de esclarecer algumas das questões mais frequentes e desmistificar ideias associadas à proteção solar, especialistas da ESSATLA, Escola Superior de Saúde Atlântica deixam recomendações para uma utilização mais segura e eficaz.

Um dos mitos mais comuns sobre a proteção solar é a ideia de que o protetor solar impede a produção de vitamina D, essencial para a absorção de fósforo e cálcio nos ossos, ou até que o seu uso diário é desnecessário em dias nublados. De acordo com os estudos desenvolvidos ao longo dos anos, os protetores solares, quando utilizados corretamente, não provocam défices clínicos significativos de vitamina D na população geral. Além do mais, e contrariamente ao que muitas pessoas possam pensar, a radiação UVA tem a capacidade de atravessar as nuvens e até o vidro das janelas, contribuindo para o fotoenvelhecimento e para o risco de cancro cutâneo.

De acordo com Luís Miguel Farias, coordenador da Licenciatura em Farmácia na ESSATLA, “muitas pessoas continuam a associar a utilização de protetor solar apenas aos dias de praia ou aos períodos de férias. No entanto, a recomendação é que a proteção solar faça parte da rotina diária, através da utilização de um protetor de largo espectro (UVA e UVB) com SPF igual ou superior a 30”.

 

Filtros inorgânicos e orgânicos: mitos e diferenças

Outro mito frequente reside na ideia de que os filtros inorgânicos, também conhecidos como filtros físicos, são sempre mais eficazes e mais seguros do que os filtros orgânicos. Na realidade, tanto os filtros inorgânicos como os orgânicos autorizados na União Europeia são considerados eficazes e seguros.

Os filtros orgânicos, como a avobenzona ou o octocrileno, funcionam principalmente absorvendo a radiação ultravioleta, convertendo-a em formas de energia menos nocivas, em forma de calor. Já os filtros inorgânicos, como o óxido de zinco e o dióxido de titânio, atuam através de uma combinação de absorção, dispersão e reflexão da radiação UV. Estudos mais recentes demonstram ainda que a descrição simplista de que os filtros inorgânicos apenas “refletem” a luz é cientificamente incorreta, sobretudo nas formulações modernas com partículas micronizadas ou nanoparticuladas.

Existe também a perceção de que os filtros orgânicos são tóxicos ou podem provocar cancro. Contudo, as revisões científicas mais recentes não apontam para nenhuma evidência de que os filtros UV autorizados provoquem cancro em humanos. Embora alguns ingredientes específicos tenham levantado preocupações relacionadas com potenciais efeitos endócrinos ou impacto ambiental, os benefícios da utilização de protetor solar na prevenção de queimaduras solares, fotoenvelhecimento e cancro da pele superam claramente os riscos atualmente conhecidos.

“Abandonar a proteção solar devido a receios infundados representa um risco muito maior para a saúde da pele do que a utilização dos filtros atualmente aprovados e regulamentados”, acrescenta Luís Miguel Farias.

 

Filtros diferentes, a mesma missão: proteger a pele

Perante tantas opções disponíveis no mercado, a escolha deve ser feita de acordo com as características e necessidades de cada pessoa. Os filtros inorgânicos tendem a ser mais bem tolerados por pessoas com pele sensível e apresentam elevada fotoestabilidade. Já os filtros orgânicos permitem, geralmente, formulações mais leves, transparentes e cosmeticamente mais agradáveis de aplicar, favorecendo a utilização diária.

“Não existe um tipo de filtro que seja universalmente melhor do que outro. O mais importante é escolher um protetor solar de largo espectro que se adapte às preferências de utilização de cada pessoa e garantir a sua aplicação e reaplicação adequadas durante os períodos de exposição solar”, destaca Luís Miguel Farias.

 

Fonte: 
Central de Informação
Nota: 
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