Laboratório Associado TERRA alerta para urgência de adaptar a gestão do território à escala dos fenómenos extremos

O Laboratório Associado TERRA assinalou o Dia Mundial da Terra com o seu Encontro Anual, dedicado aos impactos crescentes das intempéries e eventos climáticos extremos em Portugal. A participação do coordenador da Estrutura de Missão “Reconstrução da região Centro do País” reforçou a importância de articular conhecimento científico e ação pública num momento decisivo para o território.
Especialistas alertam para agravamento dos fenómenos extremos e defendem mudança estrutural na gestão do território
Para Paulo Branco, diretor executivo do TERRA, o Encontro Anual assume particular relevância no atual contexto climático:
“O Dia Mundial da Terra constitui um momento privilegiado para o TERRA se reunir e, de forma particularmente intencional, refletir sobre um futuro coletivo mais sustentável. Neste ano, em particular, o foco incidiu sobre a forma como os eventos extremos cíclicos estão, e continuarão, a influenciar o território nacional.”
A mesa-redonda “Do choque à adaptação: responder a cheias, secas, tempestades e incêndios em Portugal” evidenciou um consenso claro: Portugal enfrenta um novo patamar de risco climático, e a resposta exige mecanismos de gestão ajustados à escala e complexidade dos fenómenos.
O Professor José Luís Zêzere, diretor do Centro de Estudos Geográficos (CEG) e membro do Laboratório Associado TERRA, sublinhou que a magnitude dos eventos extremos tende a aumentar, o que exige uma visão integrada do sistema:
“Tomando como exemplo um incêndio rural, a ocorrência deste irá levar à redução da capacidade de infiltração do solo, contribuindo para a intensificação de cheias subsequentes. Ainda assim, uma tendência é clara: o futuro de Portugal aponta para problemas graves de seca, mesmo considerando a ocorrência de episódios de precipitação extrema. Neste contexto, as estratégias de recuperação devem privilegiar a resiliência face a eventos de seca. Torna-se, por isso, fundamental adequar os mecanismos de gestão à escala dos fenómenos.”
Na mesa-redonda destacou-se ainda que a resposta deve assentar em três princípios fundamentais: prevenção, planeamento e gestão adaptativa, integrando ações como o combate aos incêndios, a gestão dos caudais das barragens e o aumento da capacidade de retenção de água nos solos.
Ao trazer as intempéries e os eventos extremos para o centro do debate no seu Encontro Anual, o TERRA reafirma a sua disponibilidade para colaborar com a Estrutura de Missão “Reconstrução da região Centro do País” na construção de soluções de resiliência territorial baseadas no melhor conhecimento científico disponível.
Parcerias estratégicas e novos contributos científicos
Durante o evento foi ainda assinado um Protocolo de Cooperação entre o Município de Odemira e o Laboratório Associado TERRA, reforçando o compromisso conjunto para o desenvolvimento de iniciativas científicas, formativas e de valorização territorial. Esta colaboração reforça a aposta em políticas públicas sustentadas em evidência científica e na criação de sinergias que promovam o desenvolvimento sustentável.
O Encontro marcou também a apresentação de novos Policy Briefs desenvolvidos por investigadores do TERRA, com recomendações estratégicas em áreas-chave para a resiliência territorial:
- Cidades verdes e resiliência urbana;
- Sistemas agroflorestais sustentáveis;
- Prescrição de Natureza.
Estes documentos integram o trabalho contínuo do encontro TERRA Policy Hub, reforçando a missão do Laboratório Associado TERRA de produzir conhecimento orientado para a resolução de problemas reais e para o apoio à decisão pública.
O Encontro Anual do TERRA 2026 consolidou-se como um espaço de diálogo entre ciência, território e sociedade, promovendo a articulação entre investigação, políticas públicas e ação no terreno.
