Cefaleias

Saiba o que lhe pode estar a provocar dor de cabeça

Atualizado: 
15/04/2020 - 12:02
As cefaleias estão entre as doenças mais comuns do sistema nervoso, estimando-se que metade da população mundial sofra regularmente com este problema. Embora as causas permaneçam desconhecidas, há, contudo, alguns fatores que podem não só despoletar como intensificar a dor de cabeça em doentes com predisposição. Fique a conhecê-los.

De acordo com a MiGRA Portugal – Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias, existem cerca de 200 tipos de cefaleias. “Existem cefaleias primárias - que são doenças por si só - como a enxaqueca, cefaleia de tensão e cefaleias em salva, e cefaleias secundárias que são causadas por uma outra condição, como por exemplo, o uso excessivo de medicação ou mesmo uma outra patologia”, esclarece a associação.

Entre as cefaleias primárias – consideradas as mais frequentes, já que representam cerca de 90% dos casos -, a enxaqueca e a cefaleia de tensão são as mais comuns.

Apesar das suas causas não serem conhecidas, sabe-se, no entanto, que “existe uma importante componente hereditária” e que existem alguns fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento e/ou condicionar a sua intensidade.

Segundo a MiGRA Portugal, estes são os fatores que podem estar por detrás das suas dores de cabeça:

Alimentação

De acordo com a Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias “o intervalo entre as refeições não deverá ser longo”. Por outro lado, chama a atenção para a necessidade de manter uma rotina nos horários das refeições, “especialmente no horário do pequeno almoço”.

A alteração brusca no horário das refeições também pode desencadear crises.

Sono

Pessoas com esta patologia devem dormir regularmente entre sete a oito horas diariamente (no caso de ser adulto).

Além disso, “a rotina nas horas de sono é também muito importante, uma vez que variações grandes na hora de deitar ou acordar poderá despoletar crises de cefaleias”, salienta a MiGRA Portugal.

Emoções

Em fases de stress, de preocupações e mal-estar psíquico (ansiedade/depressão), o quadro clínico do doente com cefaleias poderá agravar-se.

Atividade física

Aquando de uma crise de enxaqueca, a dor pode ser agravada por movimentos tão comuns como subir escadas, ou por esforços físicos. Noutros tipos de cefaleias, como a cefaleia de tensão, a prática de atividade física pode não agravar a dor, contudo este aspeto é “variável entre doentes”.

Não obstante, “a prática de atividade física regular (sem ser durante a crise) contribui para a redução da frequência das crises”, pelo que se aconselha que os doentes que pratiquem exercício físico regularmente, selecionem um tipo de exercício que não despolete crises e que a pratica de atividade física seja gradual.  

“Em doentes em que a prática de exercício físico desencadeie crises, poderá dar-se preferência a exercícios com reduzido impacto e intensidade, iniciando e intensificando a prática de exercício físico de forma gradual”, recomenda a associação.

Cheiros intensos

O uso de perfumes e aromatizadores intensos pode provocar cefaleias. Assim como produtos químicos de cheiros muito ativos.

Visão

Uma visão mal corrigida pode agravar as cefaleias e pessoas com esta patologia devem consultar um oftalmologista com regularidade. No entanto, as alterações visuais que ocorrem na enxaqueca são fruto da própria crise de enxaqueca e não refletem qualquer patologia oftalmológica.

Mudanças de clima

As alterações climáticas, “nomeadamente alterações bruscas na pressão atmosférica e luminosidade (dias de muito sol ou dias de nevoeiro)” podem também desencadear crises.

Doente deve manter calendário com o registo das crises de cefaleias

Segundo a MiGRA Portugal, “o primeiro caminho para reduzir a frequência das crises poderá ser mesmo evitar os fatores que consiga identificar e sejam possíveis evitar”, daí que recomende que o doente faça um registo das crises de cefaleias, onde deverá incluir todos os aspetos que considere relevantes para compreender a doença, inclusive que coloque a hipóteses de que possam existir fatores desencadeantes. “No entanto, é de salientar que não podemos viver “numa bolha” em que evitamos todos os possíveis fatores. Cada doente deve encontrar o seu próprio equilíbrio entre os fatores a evitar e o menor impacto possível na sua vida”, realça a associação dando conta da importância do acompanhamento médico. “O acompanhamento por um médico e instituição de medicação adequada é recomendável sempre que as cefaleias impactem de forma negativa na vida quotidiana do doente”, reforça.

A MiGRA Portugal recomenda ainda a introdução de alguns hábitos de vida saudável que podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises. Tome nota:

  • Prática de exercício físico regular e adequado à capacidade do doente;
  • Higiene do sono (manter a rotina nos horários de deitar/acordar e dormir um número de horas adequado)
  • Refeições regulares (não passar demasiadas horas sem comer);
  • Cessação tabágica;
  • Adequada gestão do stresse e ansiedade.
Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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