Causas, sintomas e tratamento

Sabe o que é e como tratar um terçolho?

Atualizado: 
25/03/2020 - 16:27
Bastante frequente, e quase sempre de resolução espontânea, o terçolho ou hordéolo corresponde a uma obstrução, não contagiosa, das glândulas sebáceas existentes nas pálpebras. Uma má higiene dos olhos associada a deficiente lavagem das mãos pode estar na origem deste quadro inflamatório que cursa com dor, vermelhidão e inchaço.

Vulgarmente conhecido como "terçolho", um hordéolo não é mais do que um abcesso palpável, avermelhado e doloroso que se forma na pálpebra em resultado da obstrução de uma ou mais glândulas sebáceas, localizadas no bordo ou espessura das pálpebras. À medida que ocorre a acumulação de líquido sebáceo, o abcesso aumenta de tamanho e torna-se cada vez mais sensível.

Entre as causas, o médico oftalmologista Eugénio Leite, destaca a “falta de higiene das mãos ou pálpebras, o uso inadequado e incorreto de cosméticos ou de limpeza dos mesmos”, como sendo as mais frequentes. “Situações de inflamação da raiz das pestanas, blefarite, na sua forma crónica são potenciadoras de provocarem uma disfunção das glândulas e como tal também potenciarem o aparecimento de hordéolos”, acrescenta o especialista.

De acordo com o médico, entre aqueles que estão mais predispostos ao desenvolvimento de hordéolos estão as pessoas com pele mais oleosa, seborreia ou olho seco. Estes são também os que desenvolvem quadros de blefarite crónica. Uma doença frequentemente negligenciada pelos doentes, “sobretudo nas suas fases iniciais”, mas que resulta em processo inflamatórios crónicos que, por ser recorrentes e dolorosos, são difíceis de gerir. O seu tratamento “é simples, contudo muito trabalhoso e moroso, e o doente deve ser disciplinado para obter resultados e boa qualidade de vida”.

Quais os sintomas do terçolho?

Segundo Eugénio Leite, nas suas fases iniciais, o primeiro sintoma é o aparecimento de vermelhidão numa zona na pálpebra. Só depois surge um “nódulo com hipersensibilidade, dor e com pus, de cor amarelada, no centro da zona inchada”. Embora apenas uma parte da pálpebra possa ser afetada, há casos em que “as pálpebras podem inflamar-se de forma totalmente difusa”. Para além disso, “pode haver lacrimejo, sensibilidade à luz (fotofobia) e prurido e sensação de corpo estranho no olho”.

A qualidade da visão só é afetada, excecionalmente, se o hordéolo possuir grandes dimensões, revela o especialista acrescentando que apesar de ser uma doença simples pode, como em tantas outras, apresentar complicações. “Mas a regra diz-nos que um hordéolo, “terçolho”, desaparece com tratamento simples na maioria das vezes. E pode drenar ao fim de 5 a 7 dias, contudo, pode necessitar de mais tempo, até cerca de um mês. Em alguns casos a sua evolução complica-se e tem que se proceder à sua remoção cirúrgica”, esclarece.

Como se trata?

O tratamento médico consiste na aplicação de pomada oftalmológica (antibiótico) na zona afetada durante cerca de 8 a 10 dias, e ao qual se pode juntar “a aplicação de compressas quentes ou máscara de gel sobre as pálpebras por períodos de 15 minutos, duas a quatro vezes por dia, de modo a abrir os poros da pele, liquefazer as secreções e facilitar a drenagem das glândulas”.

No "terçolho" ou hordéolo interno, como a infeção é mais profunda, a aplicação do antibiótico local deve ser coadjuvada com antibióticos orais.

O terçolho não deve ser espremido sob pena de se agravar o quadro e deve manter-se uma higiene cuidada das pálpebras. Por outro lado, durante o tratamento “não se deve utilizar maquilhagem ou lentes de contacto”.

“Nas situações em que o tratamento médico não resulta, é necessário realizar uma pequena cirurgia de modo a facilitar a drenagem do hordéolo ou terçolho, e retirando a cápsula do “terçolho” evitando assim o seu reaparecimento. Mas, tal como foi referido anteriormente este tipo de doença está muitas vezes associado a blefarites e a doenças do filme lacrimal”, explica Eugénio Leite.

Não obstante, como solução e terapêutica mais duradoura, o especialista sugere uma tecnologia inovadora e não invasiva: o E-EYE. “Um dispositivo médico criado especificamente para o tratamento da síndrome do olho seco devido à disfunção das glândulas de meibómios, ou seja, a forma evaporativa e a mais comum”, começa por explicar. Este “utiliza luz intensa pulsada (IPL), a energia, o espectro e o período de tempo são definidos com precisão para estimular as glândulas de meibómios para que elas retomem a sua função normal, promovendo uma melhoria na qualidade da lágrima”.

A eficácia do tratamento aumenta com o número de sessões concluídas, sendo recomendadas, no mínimo, 3 sessões. No entanto, sugere-se que sejam realizadas algumas sessões adicionais de manutenção, de modo a favorecer o quadro clínico do doente.


Este tratamento a laser está indicado para o síndrome do olho seco, cujos principais sintomas são: sensação de corpo estranho (“areias”), ardor, picadas, comichão, fotofobia, visão desfocada, secura e vermelhidão

Segundo o especialista esta tecnologia é um método muito eficaz. “Confirma-se 84% de eficácia logo após o primeiro tratamento, com uma taxa de satisfação superior aos 86%. A eficiência está comprovada em olho seco leve, médio e severo, promovendo um alívio dos sintomas até 18 meses e com duração máxima que pode ir dos 3 aos 5 anos”, justifica.

“A maioria dos doentes submetidos a este tratamento referem um alívio dos sintomas bem como uma diminuição ou até a anulação completa da necessidade de aplicar lágrimas artificiais, o que promove, sem dúvida, uma melhoria significativa na sua qualidade de vida”, reforça acrescentado que esta tecnologia não apresenta contraindicações.  Este “é considerado um tratamento indolor e rápido. A única sensação desconfortável é a de «quente» na zona que está a ser tratada”.

O único cuidado a ter após cada sessão é o “uso de protetor solar nas 48 horas seguintes ao tratamento”.

Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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