Saúde ocular

Blefarite: saiba o que é e como se trata

Atualizado: 
03/03/2020 - 15:14
Estima-se que sete em cada 10 pessoas que vão a uma consulta de oftalmologia apresentam problemas nas pálpebras. A Blefarite é uma das condições mais frequentes e, embora, em muitos casos, seja uma situação recorrente, com os cuidados corretos pode ser prevenida.

Embora algumas pessoas apresentem predisposição para o seu desenvolvimento, a Blefarite corresponde a uma inflamação do bordo das pálpebras que pode atingir qualquer pessoa em qualquer idade.

Frequentemente menosprezada, a verdade é que esta doença pode causar bastantes incómodos sobretudo nos casos em que apresenta um carácter crónico.  A sua recorrência está, habitualmente, associada com a colonização exacerbada das pálpebras por bactérias que constituem a flora normal da pele, em resultado do excesso de oleosidade nesta região. No entanto, as suas causas podem ser variadas, levando a que esta doença possa ser classificada em vários tipos:

Blefarite Seborreica – muitos pacientes com blefarite seborreica têm dermatite seborreica na face e couro cabeludo ou rosácea. Nestes casos, há tendência para a produção lípidica excessiva ao nível das glândulas de Zeiss e, sobretudo das glândulas de Meibomius conduzindo à sua obstrução.  

Na blefarite seborreica é muitas vezes observado eritema do bordo palpebral, escamas tipo crostas de cor amarela na base das pestanas.

Este tipo de blefarite é considerado crónico.

Blefarite Estafilocócica – provocada por bactérias (estafilococos) decorre com edema do bordo palpebral, prurido ou eritema. Nestes casos é frequente a perda, desvio ou despigmentação das pestanas. Por vezes podem surgir pequenos abcessos de pus na base do cílios e, posteriormente, dando origem a úlceras superficiais.

Blefarite Alérgica – Nestes casos a inflamação do bordo das pálpebras surge após a picada de um insecto, administração ou exposição a um fármaco ou produto de cosmética (como é o caso da maquilhagem). Para além do inchaço, manifesta-se com prurido, olho vermelho, descamação e conjuntivite papilar.

Este tipo de blefarite pode surgir associada à asma ou febre dos fenos.

Como se trata?

O tratamento desta doença ocular vai depender do tipo de blefarite que está presente. No caso de se tratar de uma blefarite estafilocócica, o tratamento consiste na administração de antibióticos e anti-inflamatórios, em pomada ou colírios.

Caso se trate de uma blefarite seborreica faz-se uso de anti-inflamatórios e limpeza das pálpebras. O objetivo é manter a margem das pálpebras tão limpa quanto possível, utilizando uma compressa embebida em água morna.

A aplicação de calor local, com a ajuda de compressas, que ajuda a remover as crostas e as secreções gordurosas, deve ser feita pelo menos duas vezes por dia, durante alguns minutos. É ainda aconselhado massajar a área suavemente para ajudar a fluidificar as secreções das glândulas.

Em ambos os casos, e sempre que exista desconforto e irritação ocular, pode ser aconselhado a aplicação de lágrimas artificiais.

Esteja atento aos sinais

  • Vermelhidão
  • Prurido
  • Sensação de corpo estranho
  • Olhos lacrimejantes
  • Pálpebras avermelhadas e/ou inchadas
  • Crostas ou caspa na base das pestanas
  • Hipersensibilidade ocular
Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Fonte: 
Manuais MSD e Rota da Saúde
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
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