Saúde Mental

Perturbações da Personalidade são frequentemente subdiagnosticadas

Atualizado: 
15/10/2019 - 10:55
Apesar da sua gravidade, raramente um doente com uma perturbação de personalidade procura ajuda terapêutica. De acordo com a psicoterapeuta Joana Mendes, continuam a ser os estados depressivos ou ansiosos os que mais levam os doentes a pedir ajuda especializada.

Personalidade é a forma como cada um de nós pensa, sente e age, trata-se de um conjunto de caraterísticas que nos distingue dos outros e nos torna únicos. Assim sendo, podemos dizer que a nossa Personalidade é o resultado de várias influências sejam elas do meio em que nascemos, da genética que carregamos ou das experiências que vamos acumulando ao longo dos anos.

Porém, quando  determinados traços de Personalidade se tornam inflexíveis podemos falar em perturbações da Personalidade. O efeito principal destas perturbações faz-se sentir na forma de pensar, no estado de humor, nos relacionamentos interpessoais e ainda no controlo de impulsos.

A perturbação da Personalidade é estabelecida quando se cumprem determinados critérios, sendo eles, o desvio marcado de traços personalísticos causando sofrimento no próprio e naqueles com quem interage, a transversalidade a várias situações e dimensões da vida da pessoa e ainda o facto das características serem globais, estáveis e reconhecíveis desde o final da adolescência.

Estas Perturbações são comumente dividas em três grupos: ao grupo A pertencem as perturbações cujos pacientes têm comportamentos estranhos ou excêntricos; do grupo B fazem parte os pacientes com comportamentos dramáticos, emocionais ou erráticos; já  o grupo C é caracterizado por pacientes com comportamentos ansiosos ou apreensivos.

Não obstante a gravidade deste tipo de perturbações, é raro estas serem o principal motivo e queixa clínica para a procura de ajuda terapêutica e consequente marcação de uma consulta de avaliação e diagnóstico. Na sua grande maioria são os sintomas ansiosos ou depressivos que levam uma pessoa a procurar tratamento psicoterapêutico. E neste sentido é preciso abordar a importância de uma avaliação profunda que pode mesmo chegar à conclusão que o problema reside, não de uma perturbação de personalidade cujo diagnóstico assenta numa rigidez de pensamento e num padrão inadequado de comportamentos, mas sim em comportamentos e pensamentos negativos do domínio ansioso e/ou depressivo.

Nestes casos em particular, é muito importante que se estabeleça um plano psicoterapêutico que permita ao paciente obter alterações duradouras e significativas não só dos seus comportamentos e emoções como também dos  pensamentos que lhe estão a provocar sofrimento.

Autor: 
Dra. Joana S. Mendes - Psicóloga / Psicoterapeuta na Clínica da Mente
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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