Os riscos das extensões de pestanas

Um estudo apresentado recentemente no Congresso da European Society of Cataract and Refractive Surgeons avaliou 345 mulheres entre os 16 e os 28 anos. Entre as utilizadoras de extensões, quase metade referia sintomas como desconforto, vermelhidão, lacrimejo ou comichão. Nas mulheres que tinham colocado extensões pelo menos dez vezes, 85% apresentavam sinais de disfunção das glândulas de Meibomius, responsáveis por produzir a componente lipídica da lágrima e evitar a sua evaporação.
Numa análise mais pequena, realizada em 25 utilizadoras regulares, foi também encontrada uma elevada presença de Demodex, um ácaro que pode existir normalmente nos folículos das pestanas, mas que, quando prolifera em excesso, pode associar-se a inflamação da margem palpebral.
Estes resultados são relevantes, mas devem ser interpretados com cautela. O estudo demonstra uma associação, não prova que as extensões sejam diretamente responsáveis por estas alterações. Além disso, não incluiu um grupo de controlo adequado para algumas das análises.
Na prática clínica, as complicações mais frequentemente associadas às extensões de pestanas são irritação ocular, blefarite, olho seco, reações alérgicas e disfunção das glândulas de Meibomius. Podem também ocorrer conjuntivite, abrasões da córnea e, mais raramente, queratites.
Existem vários mecanismos possíveis. As extensões e o adesivo podem dificultar a higiene da margem das pálpebras, favorecendo a acumulação de resíduos e a inflamação. Algumas colas podem ainda provocar reações irritativas ou alérgicas. Há estudos que mostram também uma diminuição transitória da estabilidade da lágrima depois da aplicação.
Na maioria das situações, os sintomas são reversíveis quando a causa é eliminada e o problema é tratado. No entanto, inflamação ou obstrução persistentes das glândulas de Meibomius podem, a longo prazo, provocar alterações estruturais que podem não ser totalmente reversíveis e contribuir para olho seco crónico.
Isto não significa que seja necessário abandonar as extensões de pestanas. O mais importante é utilizá-las com bom senso, manter uma higiene cuidadosa das pálpebras e escolher profissionais que trabalhem em boas condições de higiene e com produtos adequados.
Quem tem blefarite, olho seco significativo ou alergias conhecidas deve ter particular cautela. Dor, fotofobia, diminuição da visão, vermelhidão intensa ou edema marcado depois da aplicação não devem ser considerados normais e justificam observação oftalmológica.
A principal mensagem é simples: um procedimento estético realizado tão próximo do olho não é completamente inócuo e deve ser realizado com especial cuidado. A maioria das complicações é ligeira e tratável, mas qualquer sintoma ocular deve ser prontamente avaliado por um oftalmologista.
