Dia do Orgasmo assinala-se dia 31 de julho

O Orgasmo feminino

Atualizado: 
30/07/2021 - 11:18
Longe vai o tempo em que o orgasmo feminino era tido como condição necessária para engravidar ou que era considerado algo de errado, pecaminoso, punível ou doentio. Contudo, apesar de toda a evolução na contextualização social e investigação científica na área da sexualidade humana, o orgasmo feminino continua envolto em mistério!

Efetivamente, é um objeto de estudo extremamente difícil, com grande variabilidade de mulher para mulher, e até numa mesma mulher. Ultrapassa as alterações corporais, as sensações físicas, tendo um componente psicológico, emocional e social que vão influenciar toda a vivência de cada orgasmo. A autoestima, autoconfiança, relacionamento, motivações sexuais, crenças, pressões sociais modulam a forma o orgasmo é experienciado. Assim, a descrição do orgasmo de cada mulher é carregada de subjetividade, sendo que geralmente assenta num ponto em comum: é o momento de prazer máximo durante o envolvimento sexual.

Numa perspetiva mais biológica, durante a estimulação sexual, com o aumento progressivo da excitação, ocorre libertação de adrenalina, com aumento dos batimentos cardíacos, respiração acelerada, aumento da vascularização pélvica, ereção dos mamilos, aumento da tensão e contração muscular. Depois, o orgasmo – o clímax - seguindo-se os espasmos dos músculos pélvicos, libertação de endorfinas e ocitocina, responsáveis, entre outros, pela sensação de prazer, pelo reforço da vinculação e confiança. No final, relaxamento e sensação de bem-estar, melhoria do humor e da intimidade.

Ainda que cada vez se fale mais e mais abertamente de sexo, sexualidade e prazer, o orgasmo feminino permanece alvo de vários mitos e tabus! Orgasmo com a penetração vaginal, orgasmos múltiplos, orgasmos simultâneos, orgasmo em todas as relações sexuais, orgasmo como sinónimo de prazer, são os mitos mais frequentes, e que mais frequentemente atrapalham a satisfação sexual e uma sexualidade saudável!

A maioria das mulheres não atinge o orgasmo exclusivamente com a penetração vaginal. Embora tenha sido famoso o conceito freudiano de que as mulheres maduras teriam orgasmo vaginal, enquanto as imaturas o teriam com a estimulação clitoridiana, atualmente é claramente reconhecido que o clitóris é o principal órgão do prazer feminino, sendo a sua estimulação (direta ou indireta) responsável pelo orgasmo em grande parte das mulheres!

Por outro lado, a mulher não tem obrigatoriamente de ser capaz de ter orgasmos sequenciais – é uma característica individual de cada mulher. A busca do casal pelo orgasmo simultâneo pode ter um efeito negativo no envolvimento sexual e na procura do prazer – homem e mulher podem ter tempos de estimulação diferentes, sem que isso seja anormal.

Apesar da pressão social e da expectativa do parceiro (e até da própria mulher!) fazerem com que pareça obrigatório a mulher ter um orgasmo de cada vez que tem relações sexuais, uma vida sexual feliz e satisfatória não implica necessariamente a presença constante do orgasmo. Assim, nem todas as mulheres têm sempre orgasmo, sem que isso signifique que não têm prazer nessa experiência sexual. Por outro lado, este foco no orgasmo pode até condicionar stress e ansiedade em relação ao ato sexual, promovendo a construção de sentimentos e cognições negativas em relação à sexualidade.

O orgasmo fora da atividade sexual com o parceiro, ou seja, na masturbação, ainda é vista por muitos como uma coisa errada, uma forma de traição, havendo inclusivamente a convicção, errada, de que pode atrapalhar o desempenho com o parceiro.

Subjetividade, mitos e tabus à parte, o orgasmo, embora não sendo essencial para todas as mulheres, representa o culminar do prazer durante a atividade sexual, estando associado ao bem-estar físico, psicológico e emocional da mulher.

Autor: 
Dra. Joana Lima Silva - Ginecologista / Sexóloga no Hospital Lusíadas Porto
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
Pixabay