Opinião

O cancro da mama e a medicina de precisão

Atualizado: 
30/10/2019 - 10:08
A propósito do Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama é importante lembrar que este é um problema de saúde pública e que em Portugal surgem todos os anos 6 mil novos casos. Contudo, o diagnóstico precoce tem sido uma arma importantíssima no combate a esta doença.

O cancro da mama não escolhe idade e existem um conjunto de fatores que podem ser considerados fatores de risco, como a alimentação e o sedentarismo. No entanto, as características genéticas e hereditárias têm um papel crucial neste tipo de tumor.

O cancro da mama não é igual em todas as mulheres. Pelo contrário, o cancro da mama divide-se em diferentes tipos, dependendo das características das células da mama onde o tumor se desenvolve, do grau de extensão e da sua evolução.

Felizmente, os tratamentos ao longo dos anos também evoluíram e hoje estamos na era da medicina personalizada, onde todas as características de um tumor são tidas em conta na prescrição do tratamento a seguir. Efetivamente, as grandes novidades que surgiram nos últimos anos, tanto para o diagnóstico como para o tratamento do cancro da mama, estão relacionadas com a medicina personalizada e a oncologia de precisão.

De qualquer forma, para encontrar o tratamento mais adequado desde o início e fazer um acompanhamento mais completo, o oncologista pode recomendar a realização de análises genómicas, que dão ao especialista mais informações sobre o tumor, principalmente onde está a raiz e o tipo de terapia que vai ser mais eficaz para o tratar.

Já existem ferramentas de diagnóstico que permitem, em primeiro lugar, identificar soluções terapêuticas para doentes com cancro da mama com rapidez e facilidade, sem a necessidade de reutilizar a biópsia do tumor, em segundo lugar, monitorizar a evolução desses tumores e, em terceiro, detetar a resistência ao tratamento assim que esta surge.

O OncoSelect é uma dessas ferramentas e foi desenhada especificamente para o cancro da mama, caracterizando-se pela sua agilidade na redução do campo de análise, sendo mais seletivo no estudo e monitorização de genes. É também uma ferramenta de fácil utilização, sendo necessário apenas uma amostra simples de sangue, que permite a adaptação do tratamento ao tipo de tumor. Este é um teste único, pois concentra-se apenas nos tratamentos-alvo que são importantes em cada tipo de cancro.

Além destes novos testes da chamada oncologia de precisão, existem também plataformas baseadas em tecnologias de big data capazes de interpretar rapidamente os dados dos doentes, que são obtidos em bruto, e convertê-los em relatórios úteis para o oncologista.

Este tipo de plataformas, como a OncoKDM, integra e interpreta dados genómicos de diferentes áreas de estudo (patologia molecular, estudos de expressão, etc.). O sistema processa e organiza os dados para dar aos oncologistas relatórios úteis para o desenvolvimento do seu trabalho para que possam determinar um tratamento-alvo eficaz para cada um de seus doentes. Estas plataformas permitem também contactar com outros oncologistas, analisar casos concretos (com dados anónimos), partilhar experiências e novos pontos com o objetivo de entre todos encontrarem a melhor terapia para cada doente.

A oncologia de precisão é de facto um campo maravilhoso, pois abriu-nos a porta a uma infinidade de possibilidades e terapias com base nos dados obtidos de cada doente. Porque não somos todos iguais, a medicina teve e tem de se adaptar às características específicas de cada um de nós de forma a alcançar os melhores resultados em saúde e uma melhor qualidade de vida, com o mínimo de efeitos secundários que estes tratamentos comportam.

Adriana Terradez - diretora da OncoDNA para Portugal e Espanha

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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