Opinião

As indesejadas frieiras

Atualizado: 
19/03/2026 - 07:56
As frieiras, designadas em termos médicos por pernio ou chilblains, correspondem a uma reação inflamatória da pele provocada pela exposição prolongada ao frio e à humidade. Esta condição afeta sobretudo as extremidades do corpo, como os dedos das mãos e dos pés, podendo também surgir nas orelhas e no nariz. Embora geralmente não seja considerada uma patologia grave, pode causar desconforto significativo.

Do ponto de vista fisiopatológico, as frieiras resultam de uma resposta anormal dos pequenos vasos sanguíneos da pele às variações de temperatura. Quando a pele é exposta ao frio intenso, ocorre uma vasoconstrição dos capilares para conservar o calor corporal. Este processo constitui um mecanismo de defesa do organismo, que reduz o fluxo de sangue quente para as extremidades, protegendo os órgãos vitais; no entanto, nas frieiras, esta resposta ocorre de forma exagerada ou desregulada. Posteriormente, quando a zona afetada é aquecida rapidamente, pode ocorrer uma vasodilatação abrupta, provocando inflamação local e o aparecimento das lesões cutâneas características.

Clinicamente, as frieiras manifestam-se por áreas eritematosas ou arroxeadas, frequentemente acompanhadas por edema, prurido, ardor ou dor. Em alguns casos, podem surgir vesículas, fissuras cutâneas ou pequenas ulcerações. Estas lesões podem persistir durante vários dias ou semanas, especialmente se a exposição ao frio se mantiver.

Alguns fatores aumentam a suscetibilidade ao desenvolvimento desta condição, nomeadamente má circulação periférica, exposição frequente a ambientes frios e húmidos, utilização de vestuário inadequado para baixas temperaturas e determinadas características individuais, como baixo índice de massa corporal.

O tratamento das frieiras baseia-se sobretudo na proteção da pele e na melhoria da circulação sanguínea local. A primeira medida consiste em aquecer gradualmente a zona afetada e evitar novas exposições ao frio. O uso de luvas, meias térmicas e calçado adequado é essencial para prevenir o agravamento das lesões.

Em termos terapêuticos, podem ser utilizados cremes hidratantes e emolientes para restaurar a barreira cutânea e reduzir a irritação da pele. Em alguns casos, o dermatologista pode recomendar cremes com ação anti-inflamatória ou vasodilatadora para melhorar a circulação local e aliviar os sintomas. Quando existem fissuras ou risco de infeção, podem também ser utilizados produtos cicatrizantes ou antissépticos.

Na maioria das situações, as frieiras resolvem-se espontaneamente com estas medidas. Contudo, em casos mais persistentes ou recorrentes, a avaliação por um dermatologista é importante para orientar o tratamento adequado e prevenir complicações.

 

Autor: 
Dr. Luís Uva - dermatologista Sociedade Portuguesa de Medicina Estética e Diretor Personal Derma
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.