Tumores

Cancro do Ovário: tudo o que precisa de saber

Atualizado: 
08/05/2020 - 12:27
O cancro do ovário é uma neoplasia pouco frequente, mas que tem, de entre as neoplasias malignas específicas da mulher, a maior taxa de mortalidade. Em Portugal são registados todos os anos, cerca de 474 casos da doença. A maioria após a menopausa.

O Cancro do Ovário

Responsável por 4% dos cancros nos países industrializados, o cancro do ovário consiste no crescimento anormal de células de localização ovárica. De acordo com a oncologista Noémia Afonso, a maioria destes tumores (cerca de 85%) têm origem nas células de revestimento do epitélio dos ovários, sendo conhecidos como carcinomas epiteliais. “Estes podem ser de diferentes tipos, destacando-se: seroso, mucinoso, endometrioide, de células claras”.

Há ainda outros tipos de cancro, menos frequentes, com origem em células germinativas - tumores de células germinativas (disgerminoma, teratoma, coriocarcinoma, carcinoma embrionário) – ou em células do estroma (tumores da granulosa, tumores de Sertoli-Leydig).

Fatores de risco

Sabe-se que a incidência do cancro do ovário aumenta com a idade, ocorrendo a maioria dos casos após a menopausa e o maior fator de risco para cancro do ovário é a história familiar, onde se inclui ainda o cancro de mama. No entanto há outros fatores de risco que importa conhecer:

  • Endometriose
  • Menarca precoce e/ou menopausa tardia
  • Nuliparidade ou 1ª gravidez após os 30 anos
  • História de infertilidade
  • Obesidade
  • Uso de terapêutica hormonal de substituição

Segundo a oncologista, “nos fatores de risco hereditários, destaca-se a presença de mutações germinativas BRCA 1 ou BRCA 2, responsáveis por cerca de 10-15% dos cancros do ovário, e o Síndrome de Lynch”.

Sintomas

A maior parte dos casos de cancro nos ovários são detetados no decurso de um exame pélvico de rotina ou durante a avaliação de um vago desconforto abdominal, o que significa que, numa fase inicial, os sintomas podem ser pouco específicos e/ou pouco valorizados o que contribui para o diagnóstico tardio.

No entanto, entre as principais manifestações da doença destacam-se:

  • dor pélvica persistente
  • alterações do ciclo menstrual ou hemorragia vaginal anormal
  • distensão pélvica /abdominal,
  • queixas urinárias ou alterações do trânsito intestinal.

Em fases mais avançadas pode ocorrer:

  • aumento do volume abdominal
  • alterações do estado geral como cansaço
  • náuseas e/ou vómitos
  • diminuição do apetite
  • emagrecimento involuntário.

Diagnóstico

Como já se referiu, nos estadios iniciais o seu diagnóstico acontece, quase sempre, “acidentalmente” durante a realização de um exame ginecológico de rotina ou na investigação clínica e/ou radiológica de uma dor pélvica. Por isso é importante que esteja atento aos sintomas.

De acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, para realizar o diagnóstico o especialista poderá recorrer a:

Exame físico:  onde se avalia o estado geral do doente, pressionando o abdómen para verificar a existência de um tumor ou uma acumulação anormal de líquido (ascite). Pode ser retirada uma amostra de líquido para a identificação de possíveis células cancerígenas do ovário.

Exame pélvico:  o médico palpa os ovários e órgãos adjacentes para verificar a presença de “caroços” ou outras alterações de formato ou tamanho. O teste de Papanicolau faz parte do exame pélvico normal, mas não é utilizado para recolher células do ovário – Este “pode permitir a deteção do cancro do colo do útero não sendo, no entanto, utilizado no diagnóstico do cancro do ovário”.

Análises ao sangue:  o médico pode querer avaliar os níveis de várias substâncias, como o CA-125. De acordo com a LPCC, “o CA-125 é uma substância que se encontra na superfície das células cancerígenas do ovário e de alguns tecidos normais. Se a sua concentração for elevada, pode ser um sinal de cancro ou de outras perturbações. A análise do CA-125 não é utilizada no diagnóstico do cancro do ovário, mas este teste pode monitorizar a resposta ao tratamento do cancro do ovário e para detetar recidivas após o tratamento”.

Ecografia:  Para melhor visualização dos ovários, pode ser solicitada uma ecografia transvaginal.

Biópsia:  Com base nos resultados das análises ao sangue e da ecografia, o médico poderá sugerir a realização de uma cirurgia (laparotomia) para remover tecido e líquido da pélvis e do abdómen. Geralmente, é necessária uma cirurgia para diagnosticar o cancro do ovário.

Apesar da maioria das mulheres ser submetida a laparotomia para efeitos de diagnóstico, algumas são submetidas a um procedimento conhecido por laparoscopia em que é inserido um tubo fino e iluminado (laparoscópio), através de uma pequena incisão no abdómen. A laparoscopia pode destinar-se a remover um quisto pequeno e benigno, ou um cancro do ovário em fase precoce. Pode também ser utilizada para determinar se o cancro se disseminou.

Tratamento

Segundo Noémia Afonso, oncologista do IPO do Porto, a primeira opção de tratamento a considerar é a cirurgia. “No cancro do ovário a cirurgia consiste numa abordagem de citorredução máxima, ou seja, na remoção completa de todos os locais de tumor com o objetivo de, no final da intervenção, não ser identificada “doença residual”.  

A quimioterapia surge após a cirurgia para completar este tratamento, ou previamente se a cirurgia não for exequível, ou em casos de doença avançada.

Atualmente na prática clínica está também preconizada a manutenção com fármacos designados por inibidores da PARP, de administração oral, e particularmente eficazes na presença de mutação BRCA.

Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Fonte: 
Liga Portuguesa Contra o Cancro
Sociedade Portuguesa de Oncologia
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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