Benefícios da Suplementação

Vitamina D associada a redução da taxa de infeções respiratórias

A falta de vitamina D tem sido considerada um dos muitos fatores favorecedores do aparecimento de asma e de outras formas de alergia, bem como de algumas infeções do trato respiratório. A sua ação sobre o sistema imunológico poderá justificar esta associação.

Para compreendermos os benefícios da vitamina D precisamos primeiro de conhecer as suas funções. Quem o afirma é a pediatra Carla Rêgo, que destaca a redução do risco de doenças crónicas “tais como doenças auto-imunes, neurológicas, cancro e doença cardiovascular” como um dos seus principais benefícios.

“A vitamina D é conhecida como a «vitamina do sol» mas é uma pro-hormona essencial ao equilíbrio do metabolismo do cálcio e do fósforo”, começa por explicar.

No entanto, “para além deste importante papel, a vitamina D regula a expressão de mais de 200 genes e tem receptores nas células de quase todos os orgãos” significando que o seu bom funcionamento depende dos níveis circulantes desta vitamina.

 “A vitamina D aumenta a absorção de cálcio e fósforo no intestino, aumenta a mineralização do osso, induz a diferenciação de células do nosso sistema imunológico, interfere na resposta inflamatória e na condução neuromuscular, inibe a proliferação de células tumorais, pelo que é fácil entender que, para além de ser fundamental para a adequada construção do tecido ósseo, esta é apenas a ponta do iceberg, uma vez que atualmente estão descritos muitos outros benefícios para a saúde”, assegura a especialista.

Deste modo, refere que, mais do que falar de benefícios, importa falar das consequências associadas ao seu défice.

De acordo com a professora de Pediatria, durante a gestação e infância, por exemplo, baixos níveis desta vitamina estão associados a efeitos adversos durante a gravidez como pré-eclampsia, diabetes gestacional ou menor desenvolvimento neurológico do feto.

Asma, diabetes tipo 1, artrite reumatóide, cancro, doença cardiovascular ou osteoporose “e, em casos severos, raquitismo” são as principais complicações durante a infância e idade adulta.

“Por possuir receptores nas células de todos os orgãos, está diretamente associada, no adulto, à saúde mental, cardiovascular, inflamatória, neoplásica, entre outras”, acrescenta referindo, deste modo, que o seu défice pode condicionar todos os órgãos e sistemas “sendo pois determinante a existência de níveis adequados desde antes a gravidez”.

Asma, alergias e infeções agudas das vias respiratórias são apontadas como outras das consequências de um aporte deficitário desta vitamina.

“A sua associação à eficiência do sistema imunológico e ao desenvolvimento do pulmão, ainda durante a vida fetal, poderá justificar esta associação”, afirma a especialista.

“A asma e as infeções virícas e bacterianas poderão ser reduzidas na dependência de um adequado status de vitamina D", uma vez que esta induz a produção de proteínas antimicrobianas e antivirais, "reduzindo o risco de infeção e modulando a resposta inflamatória das vias aéreas”.

Por outro lado, a pediatra refere ainda a existência de alguns estudos que demonstram uma associação entre níveis baixos de vitamina D e maior risco de tuberculose. “Assim, a suplementação com vitamina D está associada a redução da taxa de infeções respiratórias e de infeção por Mycobacterium tubercolisis (agente da tuberculose), razão pela qual é histórica a administração de óleo de fígado de bacalhau aos doentes internados em sanatórios”, justifica.

Estilo de vida e alimentação podem comprometer aporte de vitamina D

Cerca de 90% da vitamina D que o organismo necessita provém da síntese cutânea pelo que os médicos aconselham a “usar o sol” com prudência de modo a garantir o aporte cutâneo adequado. “Exposição solar diária ou, no mínimo, cerca de quatro vezes por semana aproximadamente 15 minutos, das pernas e braços, sem protetor solar e durante o período de menor radiação (manhã cedo ou final do dia)”, recomenda Carla Rêgo.

“Os restantes 10% devem ser fornecidos pela alimentação variada e equilibrada que inclua o consumo ocasional de peixe gordo (salmão, sardinha, arenque, cavala...), fígado de peixe, óleo de fígado de bacalhau (1 colher de chá), gema de ovo, cogumelos e produtos lácteos (leite, iogurte e queijo)”, acrescenta a especialista.


 “Usar o sol com prudência mas sem medo", aconselha a pediatra 

As doses diárias para ingestão alimentar recomendadas desta vitamina variam de acordo com a idade. “Durante o primeiro ano de vida são de 400 UI/dia, dos 1 aos 70 anos entre 600 a 800 UI/dia  e a partir dos 70 anos de 800 UI/dia”, explica a pediatra.

Deste modo, e tendo em conta as principais fontes de vitamina D é, de acordo com esta especialista, fácil concluir que um estilo de vida sedentário, sem atividades ao ar livre e uma alimentação pouco varidada e “com elevado consumo de alimentos processados”, sejam consideradas como as principais causas para o seu défice “num indivíduo saudável”.

Os sintomas de carência desta vitamina são, habitulamente, quase imperceptíveis. “São subtis, pelo que a maioria das pessoas não se apercebe, e resultam da interferência da vitamina D na função dos diferentes orgãos e sistemas orgânicos”, esclarece a médica pediatra.

Maior susceptibilidade a infeções (víricas ou bacterianas), fadiga excessiva e cansaço fácil (frequentemente associados a dor muscular difusa), dores ósses e fraturas frequentes, depressão ou alterações de humor são alguns dos sinais que indicam um aporte deficiente da vitamina.

A sua suplementação deve, no entanto, ser sempre efetuada por indicação clínica e de acordo com prescrição do médico “após confirmação analítica de carência ou défice”.

“Em crianças e adolescentes saudáveis, idealmente deve promover-se um estilo de vida ativo e uma alimentação variada e equilibrada, de forma a suprir adequadamente a vitamina D necessária à saúde”, reforça a Carla Rêgo referindo que em cada consulta deve ser avaliado o estilo de vida da criança/adolescente e família “de forma a detetar comportamentos de risco de ocorrência de défice”.

“Nesse caso, pelo menos nos meses de primavera, outono e inverno  deve ser realizada suplementação com a dose recomendada para a idade”, indica.

“Muito embora o limite de segurança seja bem superior às doses recomendadas de ingestão diária, o certo é que doses excessivas podem ter consequências nefastas, nomeadamente a nível renal. Há pois que pensar que poderão resultar consequências graves para a saúde por uma suplementação desajustada”, deixa como advertência final. 

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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