Doença afeta cerca de 20 mil portugueses

Parkinson: a segunda doença neurodegenerativa mais frequente

Tratando-se de uma doença sem cura, estima-se que entre sete a 10 milhões de pessoas, em todo o mundo, vivam com a doença de Parkinson. A sua prevalência aumenta com a idade, sendo rara antes dos 50 anos, e é mais comum nos homens do que nas mulheres. Contudo, em 5% dos casos a Doença de Parkinson surge antes dos 40 anos. No dia em que se assinala a doença, o neurologista Alexandre Mendes fala-nos do seu diagnóstico e tratamentos disponíveis.

A doença de Parkinson, descrita pela primeira vez há 200 anos, é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente, sendo uma causa importante de incapacidade. Além dos sintomas motores clássicos, é cada vez mais reconhecida a presença de manifestações não motoras da doença.

Os sintomas motores são a bradicinesia (movimentos lentos), rigidez e tremor. Para o diagnóstico é necessária a presença de bradicinesia e pelo menos um dos outros sintomas, tremor ou rigidez.

Os sintomas não motores são frequentes e englobam alterações cognitivas, do sono, neuropsiquiátricas, sensitivas e autonómicas.

No momento de fazer o diagnóstico, é necessário separar a doença de Parkinson do tremor essencial, uma doença frequente em que o principal sintoma é um tremor de ação.

Tem também que ser considerada a possibilidade de se tratar de uma das outras síndromes parkinsónicas mais raras e com prognóstico diferente.

O tratamento da doença tem como objetivo manter a independência e a qualidade de vida dos doentes. A doença é heterogénea, e a seleção do tratamento é individualizada, tendo em consideração a idade, os sintomas presentes e a sua severidade, a ocupação e estilo de vida, o estado cognitivo, comportamental e psiquiátrico, e as comorbilidades médicas.

Existem variadas opções de tratamento com fármacos, que são utilizadas de acordo com os sintomas motores e não motores.

É importante manter atividade física regular e a fisioterapia é útil. Com estas opções terapêuticas, a maioria dos doentes tem bom controlo dos sintomas durante bastante tempo.

Quando os sintomas motores se tornam difíceis de controlar com a medicação oral, tratamentos mais invasivos, como a administração subcutânea ou intra-intestinal de fármacos, e o tratamento cirúrgico, são úteis.

O tratamento cirúrgico mais utilizado consiste na estimulação elétrica de estruturas cerebrais, os núcleos subtalâmicos. O efeito da estimulação é semelhante ao efeito obtido com a medicação, mas com melhoria das complicações motoras, flutuações motoras e discinesias.

Os doentes com flutuações motoras alternam ao longo do mesmo dia entre períodos em que os sintomas estão bem controlados e períodos em que os sintomas reaparecem e provocam incapacidade. As discinesias correspondem a movimentos anormais involuntários que surgem nos períodos em que a medicação faz efeito, e que podem interferir com as tarefas motoras. A estimulação cerebral, ainda que não altere a progressão da doença, controla essas complicações motoras, permite reduzir a medicação, e melhora a autonomia e a qualidade de vida dos doentes.

O tratamento cirúrgico tem indicação para uma pequena parte dos doentes (10 a 20%). Devem ter menos de 70 anos, manter boa resposta à medicação, ter incapacidade provocada sobretudo pelas complicações motoras, estarem cognitivamente bem, não terem contra-indicações médicas ou neurorradiológicas, e estarem motivados.

A cirurgia tem riscos, sendo o principal o de hemorragia cerebral, que ocorre em cerca de 2% dos doentes, e pode deixar sequelas. Para os doentes com incapacidade devida às complicações motoras, que não possam ser submetidos a cirurgia por não cumprirem os critérios ou por não estarem motivados para esse tratamento, a administração subcutânea ou intra-intestinal de fármacos permite melhoria importante das complicações motoras.

Existe intensa investigação no desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento da doença de Parkinson. Os fármacos existentes e os que estarão em breve disponíveis, têm efeito sintomático.

Existe também muita investigação sobre os mecanismos da doença e sobre formas de alterar a sua progressão, que esperamos possam vir a existir num futuro não muito distante.

 

Dr. Alexandre Mendes – Neurologista Hospital Lusíadas Porto
Nota: 
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