Patologia musculoesquelética

Mesoterapia no tratamento da dor

Considerada como um dos maiores problemas de saúde pública atuais, a dor afeta cerca de 30 por cento da população adulta europeia. A patologia musculoesquelética está entre as principais causas da dor e a mesoterapia é, frequentemente, indicada no seu tratamento.

De acordo com dados internacionais, as doenças do sistema musculoesquelético são a causa mais frequente de morbilidade, estimando-se que afete entre 20 a 30 por cento da população adulta em toda europa.

Responsável pela perda estimada de 1,5 milhões de dias de trabalho anuais para quem sofre da doença, este problema acarreta um custo económico que ultrapassa os dois mil milhões de euros por ano. Um valor que apenas é superado pelas doenças cardiovasculares.

A mesoterapia, considerada uma arma terapêutica valiosa no tratamento da dor, sobretudo na patologia musculoesquelética, tem, em última análise, como objetivo melhorar qualidade de vida aos doentes.

“A mesoterapia é uma técnica médica que consiste na aplicação intradérmica de fármacos na projeção ortogonal da dor ou da lesão a tratar”, começa por explicar o fisiatra Ribeiro Mendonça, responsável pela consulta de Mesoterapia do Hospital de São José, em Lisboa.

Ao contrário do que acontece em França, por exemplo, país onde teve origem e onde ela é aplicada “em múltiplas patologias de várias especialidades”, em Portugal é usada para tratar sobretudo tendinites, tenosinovites, bursites, patologia muscular e patologia articular degenerativa ou inflamatória. “Outra grande área de aplicação é na estética (foto-envelhecimento, rugas, obesidade, hidrolipodisrofia, flacidez e outras)”, acrescenta o especialista, autor do manual técnico “Mesoterapia”, publicado pela editora Lidel.

Tratando-se de um ato médico que implica a decisão de prescrição medicamentosa na mistura, a mesoterapia pode ser aplicada por qualquer médico, “seja de que especialidade for”.

“Na mesoterapia usamos misturas de 2 ou 3 fármacos, que depois são aplicados intraderme, com agulhas muito finas e curtas (com 4 ou 6 mm de comprimento)”, refere adiantando que estes fármacos são escolhidos em função da patologia e do efeito que se pretende obter.

“Na dor musculoesquelética usamos anestésicos, lidocaína em patologia aguda e procaína na crónica, AINES, relaxantes musculares, vasodilatadores, venotónicos, entre outros”, enumera.

Apesar de ser possível existirem reações adversas, “umas relacionadas com a técnica (equimoses e hematomas devido ao atingimento de vasos sanguíneos), outras relacionadas com os fármacos (desde alergia local tipo urticária até reação anafilática)”, a mesoterapia apresenta várias vantagens relativamente a outras técnicas ou armas terapêuticas.

“Na mesoterapia não existe o efeito de 1ª passagem, biotransformação do fármaco antes de atingir o local de ação, que pode ser no sangue mesentérico, na parede do intestino e principalmente no fígado. Ao não haver este efeito o risco de efeitos secundários é muito menor”, justifica Ribeiro Mendonça.

Por outro lado, de acordo com este especialista, trata-se um tratamento muito barato, que pode ser aplicado em doentes com patologias muito graves “como insuficiência renal em hemodiálise, neoplasias em tratamento ativo ou doentes a fazer anticoagulação”. “Nos doentes idosos polimedicados evita a toma de analgésicos e AINES”, acrescenta.

Deste modo, qualquer doente pode recorrer à mesoterapia desde que o sintoma dominante seja a dor. “Não existe qualquer cuidado especial, para além de inquirir sobre qualquer incompatibilidade farmacológica e verificar o estado da pele no local do tratamento”, assegura o fisiatra. “Nas grávidas, lactantes e crianças os cuidados são os mesmos que usamos em relação a qualquer medicação por via oral para este grupo”, refere ainda.

Apesar de não trazer a cura a algumas patologias, esta técnica promove o alívio dos sintomas. “Nas patologias agudas, tendinites, tenosinovites e bursites existe cura. Nas patologias crónicas, nomeadamente nas artroses, existe alívio dos sintomas o que levará à menor toma de analgésicos e AINES”, admite.

E os resultados são imediatos. “Logo após o 1º tratamento devido ao anestésico usado na mistura sente-se alívio das dores. Nas artroses da coluna podemos fazer 3 ou 4 sessões com periodicidade semanal, depois repetimos 1 sessão quinzenal também 3 ou 4 vezes e finalmente quando as queixas são menores fazemos sessões mensais ou de 2 em 2 meses”, explica.

Para além da dor musculoesquelética esta técnica também pode ser aplicada no tratamento da dor neuropática.

As consultas de mesoterapia encontram-se, habitualmente, inseridas num serviço de Medicina Física e de Reabilitação e, por isso, de fácil acesso a qualquer pessoa. “O exemplo maior é o Hospital São José onde a consulta existe desde Maio de 1993”, refere o responsável pela consulta.

 

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
ShutterStock