Opinião

Estratégias para a redução das doenças cardiovasculares nas pessoas com diabetes

A Diabetes é uma doença crónica com uma elevada e crescente prevalência na população mundial. Os dados do Observatório da Diabetes em Portugal demonstram que o nosso país não é exceção, com um aumento da prevalência de 11,7% para 13,3% de 2008 para 2015 em pessoas entre os 20 e os 79 anos. É uma doença responsável por custos económicos muito elevados para a sociedade em geral, tendo em 2015 correspondido a 8-10% da despesa total em Saúde.

Os níveis cronicamente elevados da glicose no sangue atingem os pequenos vasos sanguíneos, podendo causar complicações crónicas como a cegueira, insuficiência renal e redução da sensibilidade dos pés, gerando uma grave incapacidade. São, contudo, as complicações resultantes do atingimento do território dos grandes vasos por arteriosclerose precoce que mais contribuem para a elevada mortalidade, ocorrendo 2 a 4 vezes com maior frequência em pessoas com diabetes. Esta arteriosclerose precoce é causada não só pelos valores elevados da glicose no sangue, mas também pela hipertensão arterial e aumento dos níveis do colesterol e triglicerídeos presentes nas pessoas com diabetes, muitas vezes com obesidade ou excesso de peso.

As doenças cardiovasculares que mais afetam as pessoas com diabetes são o enfarte do miocárdio, o acidente vascular cerebral e a doença vascular periférica dos membros inferiores que, quando não são fatais na sua forma de apresentação, causam também grande incapacidade como a insuficiência cardíaca, a perda da capacidade de deambulação por paralisia de um dos lados do corpo ou por amputação de um membro inferior.

A terapêutica medicamentosa da diabetes tem evoluído no sentido de encontrar medicamentos que consigam obter outros benefícios como a redução do peso e da pressão arterial, para além da redução dos níveis da glicose, sem causar hipoglicemias. Os estudos de evidência publicados nos últimos anos têm demonstrado que as últimas classes de antidiabéticos têm acrescentado valor às armas terapêuticas disponíveis, demonstrando eficácia na redução de acidentes cardiovasculares em doentes com eventos cardiovasculares prévios ou com fatores de risco para a sua ocorrência.

Fruto da sustentabilidade da evidência recente, foram  publicadas as novas diretrizes da Associação Americada de Diabetes (ADA), “Standards of Medical Care in Diabetes – 2018”, que recomendam que em pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, cuja terapêutica inicial incluía alterações do estilo de vida e o tratamento com metformina, pode-se associar um medicamento que tenha demonstrado reduzir eventos cardiovasculares graves e mortalidade cardiovascular, como são os casos da empagliflozina, e liraglutido.

Este último medicamento posiciona-se como um excelente fármaco para o tratamento de pessoas com diabetes tipo 2, em associação com outros antidiabéticos orais ou insulina, uma vez que, para além de possuir eficácia relevante no controlo da diabetes, com redução do peso e da pressão arterial, demonstrou reduzir significativamente o risco de eventos cardiovasculares globais em 13% e, em 22%, o risco de morte cardiovascular neste grupo de doentes.

Para além dos benefícios cardiovasculares, a exposição a este medicamento, também atrasou a progressão da doença renal, fator de risco independente de doença cardiovascular, potenciando o seu efeito protetor do aparecimento de novos eventos cardiovasculares.

Este medicamento é atualmente o pioneiro na sua classe a demonstrar benefícios cardiovasculares, encontrando-se amplamente justificada a sua prescrição num determinado perfil de pessoas com diabetes tipo 2, devidamente orientadas pelo seu médico assistente.  

 

Dr. Jorge Dores - Endocrinologista Centro Hospitalar do Porto
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
Hill+Knowlton Strategies Portugal

Resumo das Características do Medicamento: 1. NOME DO MEDICAMENTO Beacita 60 mg cápsulas. 2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA Cada cápsula contém 60 mg de orlistato. 3. FORMA FARMACÊUTICA Cápsula. 4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS 4.1 INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS Beacita é indicado para perda de peso em adultos com excesso de peso (índice de massa corporal, IMC, ≥28 Kg/m2) e deve ser tomado em associação a uma dieta moderadamente hipocalórica e de baixo teor em gorduras. 4.2 POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO Adultos: A dose recomendada de Beacita é uma cápsula de 60 mg três vezes ao dia. Não devem ser tomadas mais do que três cápsulas de 60 mg em 24 horas. O tratamento não deve exceder 6 meses. Caso os doentes não consigam perder peso após 12 semanas de tratamento com Beacita, devem consultar o seu médico ou um farmacêutico. Pode ser necessário descontinuar o tratamento. A dieta e o exercício são partes importantes dum programa para perder peso. Recomenda-se que se inicie uma dieta e um programa de exercício antes de iniciar o tratamento com Beacita. Enquanto estiver a tomar Beacita, o doente deve fazer uma dieta equilibrada do ponto de vista nutricional, moderadamente hipocalórica e em que as gorduras contribuam aproximadamente em 30% para o valor calórico total (por exemplo, numa dieta de 2000 kcal/dia, isto equivale a <67 g de gordura). A ingestão diária de gorduras, de hidratos de carbono e de proteínas deve ser distribuída pelas três refeições principais. A dieta e o programa de exercício devem continuar a ser seguidos após interrupção do tratamento com Beacita. Populações especiais. População pediátrica: Beacita não deve ser utilizado em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos devido a insuficiente informação sobre segurança e eficácia. Idosos (> 65 anos de idade): existem dados limitados sobre o uso do orlistato em idosos. No entanto, como o orlistato é minimamente absorvido, não é necessário ajustar a dose para idosos. Disfunção hepática e renal: não foram estudados os efeitos do orlistato em doentes com insuficiência hepática e/ou renal. Contudo, como o orlistato é absorvido em frações mínimas, não é necessário ajustar a dose nos doentes com compromisso hepático e/ou renal. Modo de administração: a cápsula deve ser tomada com água imediatamente antes, durante ou até 1 hora após cada refeição principal. Se for omitida uma refeição ou se esta não contiver gordura, a dose de Beacita deve ser omitida. 4.3 CONTRAINDICAÇÕES Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes, tratamento concomitante com ciclosporina, síndrome de mal absorção crónica, colestase, gravidez, amamentação, tratamento concomitante com varfarina ou outros anticoagulantes orais. 4.8 EFEITOS INDESEJÁVEIS As reações adversas ao orlistato são essencialmente de natureza gastrointestinal e relacionadas com o efeito farmacológico do fármaco na prevenção da absorção da gordura ingerida. Infeções e infestações: Muito frequentes: Influenza, Doenças do sangue e do sistema linfático: Frequência desconhecida: Diminuição do valor da protrombina e aumento de INR, Doenças do sistema imunitário, Frequência desconhecida: Reações de hipersensibilidade, incluindo, anafilaxia, broncospasmo, angioedema, prurido, erupção cutânea e urticária, Doenças do sistema imunitário: Frequência desconhecida: Reações de hipersensibilidade, incluindo anafilaxia, broncospasmo, angioedema, prurido, erupção cutânea e urticária, Doenças do metabolismo e da nutrição: Muito frequentes: Hipoglicémia, Perturbações do foro psiquiátrico, Frequentes: ansiedade, Doenças do sistema nervoso, Muito frequentes: cefaleias, Doenças respiratórias, toráxicas e do mediastino, Muito frequentes: Infeção respiratória superior, Frequentes, Infeção respiratória inferior, Doenças gastrointestinais, Muito frequentes, Eliminação de manchas oleosas pelo reto, Gases com descarga, Sensação de urgência em defecar, Fezes gordurosas/oleosas, Evacuação oleosa, Flatulência, Fezes moles; Frequentes: Dor abdominal, Incontinência fecal, Fezes líquidas, Aumento da defecação, Distensão abdominal, Afeção nos dentes, Afeção nas gengivas, Frequência desconhecida: Diverticulite, Pancreatite, Hemorragia retal ligeira; Afeções hepatobiliares: Frequência desconhecida: Hepatite que se pode tornar grave, Colelitíase, Aumento das transaminases e da fosfatase alcalina; Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos: Frequência desconhecida: Erupções vesiculares; Doenças renais e urinárias: Frequência desconhecida: Nefropatia por oxalato; Perturbações gerais e alterações no local de administração: Frequentes: Fadiga. 5. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO Actavis Group PTC ehf., Reykjavikurvegur 76-78, IS-220, Hafnarfjordur, Islândia. 6. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO Registado no Infarmed I.P. com o nº 5474143, blister de 60 unidades. Registado no Infarmed I.P. com o nº 5474150, blister de 84 unidades. 7. DATA DA REVISÃO DO TEXTO 29 de outubro de 2012. Para mais informações deverá consultar o titular de autorização no mercado. Medicamento Não Sujeito a Receita Médica.