Doenças Alérgicas

Em cada quatro portugueses, um sofre de alergia

As doenças alérgicas têm adquirido um papel cada vez mais importante no grupo das patologias mais prevalentes nos países desenvolvidos. Em Portugal cerca de uma em cada quatro pessoas sofre de uma doença alérgica.

 

A alergia não é mais do que uma reposta exagerada do sistema imunitário a um determinado alergénio (poderá ser a ácaros, pólenes, epitélios, fungos, alimentos, fármacos, venenos) que são bem tolerados pela maior parte das pessoas. Normalmente surge em minutos após a exposição a esse mesmo alergénio e poderá manifestar-se de diferentes formas sendo as mais frequentes:

- Rinite (espirros, congestão/nariz entupido, corrimento e comichão nasal);

- Conjuntivite (vermelhidão, sensação de corpo estranho, lacrimejo, comichão ocular)  

- Asma (tosse, sensação de dificuldade em respirar, aperto no peito e pieira/chiadeira audível)

- Eczema (pele seca, áspera, por vezes com fissuras ou feridas)

- Alergia alimentar, alergia medicamentosa, alergia à picada de abelha/vespa (podem manifestar-se com rinite, conjuntivite, asma mas também com queixas de dores abdominais, dificuldade em deglutir, diarreia, vómitos. Em situações mais graves poderá ainda envolver o sistema cardiovascular com hipotensão arterial/choque e perda do conhecimento).A demonstração de doença alérgica é feita, normalmente, com recurso a testes cutâneos alergológicos que se realizam de forma simples na pele do antebraço do doente. Posteriormente a confirmação da sensibilidade deverá ser feita com doseamento laboratorial.

Após determinação do agente desencadeante de alergia a primeira medida de controlo passa pela evicção do contacto com o estímulo alergénico. Quer seja evicção do alimento/medicamento desencadeador de reação quer seja controlo ambiental quando surge alergia a um aeroalergénio.

Não é possível uma completa evicção dos alergénios do meio exterior. No entanto, algumas medidas parecem permitir alguma proteção ou minimização dos sintomas:

  • conhecer os boletins de polinização (mapa polínico da Sociedade Portuguesa Alergologia e Imunologia Clínica- http://www.spaic.pt)
  • evitar áreas de elevada polinização
  • evitar atividades no ambiente exterior fundamentalmente de manhã cedo (altura do dia em que se verifica a maior libertação de pólenes)
  • manter-se dentro de casa e manter portas e janelas fechadas nos dias muito ventosos, quentes e secos
  • usar óculos escuros fora de casa     
  • viajar de automóvel com os vidros fechados e utilizando filtros de partículas de grande eficácia
  • evitar praticar desportos ao ar livre, campismo, caminhar em espaços relvados em períodos de grande concentração de pólenes. Deve ainda evitar cortar relva.

Em relação aos alergénios do interior, cujos ácaros são os alergénios mais frequentemente indutores de patologia alérgica, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de acumulação de poeira doméstica:

  • No quarto prefira mobiliário simples, facilmente lavável e pavimento lavável sem tapetes. Deverá dar preferência a paredes lisas e pintadas e abolir cortinas.
  • Os lençóis devem ser de algodão e os edredões e almofadas de fibras sintéticas, que permitem lavagens frequentes a mais de 60ºC, temperatura a que se conseguem eliminar os ácaros. O colchão tem de ser aspirado frequentemente e a roupa da cama mudada uma vez por semana.
  • Evite veludos e tecidos sintéticos para estofos que normalmente são mais quentes e, portanto, aumentam a humidade na sua superfície.
  • No chão deve ser escolhido um pavimento de mosaico ou madeira envernizada, preferencialmente.
  • As carpetes e a tapeçaria retêm inúmeros alergénios, como ácaros, fungos, faneras de animais. Se quiser ter um tapete, os de algodão e laváveis são permitidos (desde que sejam colocados com frequência na máquina a uma temperatura mínima de 60ºC).
  • Controlar a humidade é importante para reduzir o crescimento dos fungos e dos ácaros. Deve evitar-se o aquecimento excessivo do ar.

Temos ainda disponível terapêutica farmacológica (anti-histamínicos, corticosteróides) e imunoterapia específica. As vacinas anti-alérgicas têm enorme eficácia desde que instituídas adequadamente e sob vigilância de imunoalergologistas.

No caso de apresentar clínica sugestiva deverá ser observado em Consulta de Imunoalergologia para que lhe seja prescrita terapêutica adequada à clínica apresentada.

Dra. Teresa Moscoso - Imunoalergologista Clínica Santo António
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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