Dia Mundial do Rim 2018

Doença Renal Crónica afeta 195 milhões de mulheres

Este ano o Dia Mundial do Rim comemora-se a 8 de março, que é também o Dia Internacional da Mulher. Assim, a campanha deste ano incide sobre a saúde das mulheres, com o lema “Incluir, valorizar, capacitar”.

Estima-se que 195 milhões de mulheres sejam afetadas pela doença renal crónica em todo o mundo. Apesar de tanto a prevalência como a progressão para doença renal crónica terminal seja inferior no sexo feminino, em Portugal existem cerca de 5 mil mulheres em tratamento substitutivo da função renal.

A lesão renal aguda associada a gravidez (nomeadamente a pré-eclampsia) é uma das causas mais frequentes de doença renal na mulher jovem e que pode levar a doença renal crónica terminal. A doenças auto-imunes são também mais frequentes nesta população sendo o Lupus Eritematoso Sistémico um exemplo.

Em termos globais, as principais causas de doença renal crónica são, hoje em dia, a diabetes mellitus e a hipertensão. Estas são doenças silenciosas podem progredir, muitos anos sem sintomatologia específica, causando lesão em diversos órgãos, entre os quais o rim.

As doenças de caráter hereditário (como a doença renal poliquística), as glomerulonefrites crónicas (como a nefropatia a IgA) e as doenças urológicas (litíase renal e hipertrofia prostática) são algumas de outras etiologias, embora com menor expressão.

Quando lesados, os rins deixam de exercer a sua função de regulador do meio interno do organismo levando a acumulação de toxinas, sais minerais e água. Deixam também de produzir diversas hormonas essenciais a produção do sangue e da qualidade do tecido ósseo.

O cansaço, a anorexia (perda de apetite) e os edemas são os principais sintomas da doença renal e que alertam para a procura dos cuidados de médicos.

A doença renal crónica tem um elevado impacto na esperança média e na qualidade de vida da população em geral. Nas mulheres, a saúde reprodutiva é particularmente afetada, sendo a infertilidade e as complicações com os fetos (baixo peso à nascença e prematuridade) mais frequentes que na restante população.

Atingindo o estádio terminal, é necessário iniciar uma modalidade de tratamento substitutivo da função renal, e as opções existentes são a hemodiálise, a diálise peritoneal e transplantação renal.

Atualmente, a hemodiálise é a escolha da maioria dos doentes. Porém, é a que acarreta maiores constrangimentos pois implica tratamentos em unidades de saúde com duração mínima de quatro horas, três vezes por semana.

A diálise peritoneal, embora mais flexível em termos de horários e com a mais valia de poder ser realizada no domicilio dos doentes, é ainda uma técnica pouco difundida no nosso país.

A transplantação renal (nos doentes elegíveis), é sem dúvida a melhor opção de tratamento, sendo aquela que permite maior longevidade e qualidade de vida aos pacientes.

Portugal tem das mais elevadas taxas de transplante (de dador cadáver) por milhão de habitantes. No entanto, o transplante renal de dador vivo é ainda pouco divulgado, tendo no futuro margem para crescimento. O sucesso do transplante depende da toma correta de medicação imunossupressora que infelizmente acarreta riscos de infeção, doenças cardiovasculares e doenças oncológicas, não negligenciáveis.

Dra. Inês Aires - Nefrologista e Membro da Sociedade Portuguesa de Nefrologia
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