Mês do Pulmão

Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é uma das principais causas de morte em Portugal

Dispneia, falta de ar, tosse ou cansaço respiratório são os principais sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, uma patologia que afeta mais de 600 mil portugueses. Para assinalar o Mês do Pulmão, que se celebra durante o mês de Abril, João Cardoso, diretor do Serviço de Pneumologia do Hospital de Santa Marta, escreve sobre a doença que afeta sobretudo fumadores e ex-fumadores.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é actualmente uma das principais causas de doença respiratória, limitando a capacidade para as actividades físicas diárias com consequente perda de qualidade de vida, sendo que as suas agudizações resultam muitas vezes em recurso a consultas urgentes, idas ao serviço de urgência ou internamento.

Em Portugal, a DPOC é a 4ª causa de morte e a 2ª por doença respiratória.

A prevalência da DPOC é semelhante à diabetes, a mortalidade durante o internamento é similar à do enfarte do miocárdio e, no entanto, o conhecimento e valorização da DPOC pelos doentes e famílias é incomparavelmente menor que nessas doenças.

A DPOC resulta da exposição a partículas e gases nocivos, principalmente ao fumo do tabaco.

Cerca de 50% dos fumadores vêm a desenvolver DPOC e 90% dos doentes com DPOC são ou foram fumadores.

Os principais sintomas da DPOC são a dispneia, a tosse e a expectoração.  A tosse e expectoração mantida dias ou semanas é sinal de alerta de que algo não está bem com os seus pulmões.

No entanto, é a dispneia, a falta de ar ou o cansaço respiratório o principal sintoma.

As actividades do dia-a-dia passam a ser difíceis de realizar, por pequenos que sejam os esforços, e cada um vai diminuindo a sua actividade (vai pelo elevador em vez de subir a escada) ou alterando o seu padrão de vida tornando-se mais sedentário, entrando-se num círculo vicioso de menor capacidade e consequente menor actividade.

A perda de capacidade para andar ou subir uma rua ou umas escadas, andar mais lento que os amigos porque se fica com a sensação de sufoco, respiração ofegante ou falta de ar devem conduzir a uma consulta médica o mais breve possível.

Nessa altura, deverá realizar um exame da sua função respiratória - uma espirometria - que irá medir a sua capacidade respiratória, comprovar o diagnóstico e avaliar a gravidade da sua DPOC.

O tratamento da DPOC passa em primeiro lugar pela cessação tabágica, pela vacinação anual (gripe e pneumonia), pela promoção e manutenção da actividade física diária e pelo tratamento farmacológico com medicação inalatória de broncodilatadores.

A combinação destes tratamentos resulta em menor probabilidade de agudizações que são episódios responsáveis pela evolução e agravamento da doença.

O tratamento com broncodilatadores por via inalatória é fundamental na melhoria da dispneia e da capacidade de exercício.

Quando a dispneia e o cansaço respiratório são significativos e comprometem a normal vida diária, sob tratamento farmacológico, deve ser instituída reabilitação respiratória, que consiste em efectuar cinesiterapia (“ginástica”) respiratória e programa de treino de exercício. Este tipo de tratamento é muitas vezes crucial para se recuperar a capacidade funcional para as actividades da vida diária.

Infelizmente, na fase mais avançada da DPOC surge a insuficiência respiratória, em que o pulmão já não consegue oxigenar o organismo de forma adequada.

Nesta altura, a DPOC tem de ser tratada com recurso a Oxigenoterapia de Longa Duração (pelo menos 16 horas por dia).

Actualmente, com o desenvolvimento tecnológico existem equipamentos muito leves e portáteis que proporcionam que o doente faça a sua vida do dia-a-dia praticamente sem limitação.

Dr. João Cardoso - Director do Serviço de Pneumologia Hospital de Santa Marta
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
ShutterStock