Maioria dos doentes apresenta sinais vagos

Cancro do pâncreas: todos os anos surgem 500 novos casos da doença em Portugal

Tabagismo, obesidade, diabetes ou história familiar de cancro são alguns dos fatores de risco associados ao cancro do pâncreas. Um tipo de neoplasia que afeta tanto homens quanto mulheres, considerada a quinta causa de morte por cancro no nosso país. No dia em que se assinala mundialmente a doença, o especialista Paulo Soares escreve sobre o tema.

O pâncreas é uma glândula com 15 cm de extensão e faz parte do sistema digestivo e endócrino, localizada atrás do estômago e entre o duodeno e o baço. Tem funções exócrinas (enzimas pancreáticas) e endócrinas (insulina e outras).

O cancro do pâncreas surge quando as suas células se começam a multiplicar de forma descontrolada e formam um tumor. 

Epidemiologia

O cancro do pâncreas é de apenas 3% de todos os cancros mas responsável por 5% da mortalidade por cancro, com uma incidência anual de cerca de 500 novos casos em Portugal.  É a terceira neoplasia maligna mais frequente do tubo digestivo em Portugal e a segunda no mundo ocidental, depois do cancro do cólon, e a quinta mais frequente causa de morte por cancro.

A maior parte dos casos ocorre entre os 55 e 74 anos de idade, sem predominância entre o género.

Um ano após o diagnóstico da doença, menos de 20% dos doentes estão vivos, e só 3% sobrevivem 5 anos. Doentes com doença irressecável ou com metástases a distância têm uma sobrevida média de apenas 2-6 meses.

Sintomatologia e Diagnóstico

Existem diversos fatores de risco associados sendo mais relevantes a idade > 60 anos, tabagismo, obesidade, dieta rica em gordura, diabetes e história familiar de cancro do pâncreas.

A maioria dos doentes apresenta sintomas vagos e não específicos. Contudo são sinais de alarme a icterícia obstrutiva (cor amarela de pele e escleróticas, urina escura de vinho), dor epigástrica ou dorsal, perda de peso inexplicável, diabetes com inicio tardio e saciedade precoce.

O estudo inclui a Tomografia Computorizada (TC), mas outros exames poderão ser solicitados como a Ressonância Magnética (RM), Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada ou Ecoendoscopia, com ou sem biópsias.

Tratamento

Dependente do estadiamento da doença à altura do diagnóstico. As opções podem incluir cirurgia, radioterapia e a quimioterapia, por si ou de forma combinada.

Em tumores  localizados e operáveis, a biópsia está contraindicada, devido ao perigo de disseminação do tumor. Estes doentes são submetidos a intervenção cirúrgica e o diagnóstico confirmado pelo exame patológico da peça cirúrgica.

A cirurgia pode ser efectuada por via clássica ou por via laparoscópica e quando possível constitui a opção de potencial curativo.

Prognóstico

O prognóstico varia consideravelmente em função do tipo de cancro, sua localização e modo de apresentação.

Os casos diagnosticados em fases avançadas e quando o cancro já tem uma dimensão considerável ou se propagou para outras partes do corpo (80%) tem pior prognóstico. Novos esquemas de quimioterapia demonstraram uma melhoria no tempo média de sobrevivência, embora não seja superior a um ano.

Nos restantes 20% dos casos de adenocarcinoma pancreático com diagnóstico localizado e de pequenas dimensões (<2 cm e estágio T1), cerca de 20% dos doentes sobrevive para além dos cinco anos.

Nos tumores neuroendócrinos, o prognóstico é melhor, uma vez que muitos são benignos e não apresentam quaisquer sintomas clínicos, e mesmo os casos irressecáveis apresentam uma taxa de sobrevivência aos cinco anos superior a 16%.

Prevenção e Rastreio

Para além de não fumar, recomenda-se a manutenção de um peso saudável e o aumento do consumo de fruta, verduras e cereais integrais, a diminuição do consumo de carne vermelha e carne processada. O consumo de cereais integrais, ácido fólico, selénio e peixe não frito poderão ter um efeito benéfico na sua prevenção.

Atualmente, só se considera o rastreio de grupos específicos em pessoas que apresentam risco elevado devido a hereditariedade genética.

Mensagem a levar para casa

Em caso de suspeita de cancro, devido a sintomas ou a um exame complementar de diagnóstico que apresente uma alteração, deve dirigir-se sempre ao seu Médico Assistente. O mesmo fará uma primeira avaliação clínica e consoante o tipo de suspeita, encaminhará o seu caso para as especialidades necessárias: Gastrenterologia, Cirurgia Geral ou em alternativa, menos habitual, Oncologia.

Dr. Paulo Soares – Cirurgia Geral Hospital Lusíadas Porto
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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