Doença de Peyronie

Uma das causas da disfunção erétil

Atualizado: 
07/12/2018 - 18:08
Com uma taxa de incidência de 3 a 9%, a doença de Peyronie afeta, sobretudo, homens entre os 45 e os 60 anos, causando um grande impacto quer a nível físico quer a nível emocional, podendo ser responsável pela disfunção erétil.

Diagnosticada e descrita, pela primeira vez, em 1743 pelo médico cirurgião François Gigot de la Peyronie, esta doença “caracteriza-se pela presença de um tecido cicatricial, fibroso e duro, ao nível da túnica albugínea que reveste os corpos cavernosos do pénis”.

De acordo com o cirurgião plástico, Biscaia Fraga, a causa desta doença ainda “não está completamente esclarecida, sendo classificada como uma patologia associada a diferentes doenças auto imunes”, como é o caso da contratura de Dupuyten (doença das mãos que atinge 15,4 a 20% dos pacientes). Microtraumatismos e herança genética estão entre os fatores responsáveis pela doença.

“Estas características levam à formação de placas fibrosas da túnica albugínea, que impede a expansão do pénis durante a ereção, tendo como resultado uma curvatura ao nível do pénis e ainda o seu estreitamento, encurtando-o, e com perda de perímetro”, explica o cirurgião.

Dor, dificuldade de penetração e disfunção erétil são as consequências desta alteração.

Quanto à sua incidência, alguns estudos demonstram que esta doença é relativamente comum nos homens de raça caucasiana, afetando sobretudo homens entre os 45 e os 60 anos de idade, registando uma taxa de 3 a 9%.

Outras pesquisas “enfatizam o seu aparecimento em jovens com idades inferiores a 15 anos de idade”.

No entanto, embora apresente uma baixa prevalência, sabe-se que esta doença afeta muitos mais homens. “A vergonha, o medo, a educação e a falta de informação são as principais causas da baixa procura por consultas médicas”, justifica Biscaia Fraga.

O diagnóstico da patologia é feito após avaliação detalhada do paciente, de modo a que seja possível prescrever o tratamento mais adequado a cada caso.

“É importante fazer uma observação do pénis ao nível da face ventral, dorsal, longitudinal e transversal; medir a curvatura peniana, durante a fase de ereção e avaliar o seu estado de gravidade de deformação”, explica o cirurgião plástico.

Por outro lado, “uma história sexual detalhada, bem como outras situações associadas - como o consumo de tabaco, doença vascular, diabetes, doença cardíaca e história familiar de lesões penianas ou deformidades - são igualmente importantes”, acrescenta.

Não obstante, esta avaliação pode ainda requerer de alguns exames complementares como a ecografia, tomografia axial computorizada, ressonância magnética e peniografia.

No tratamento da doença de Peyronie são utilizadas várias técnicas de tratamento e que dependem, sobretudo, do grau de curvatura do pénis, passando pela cirurgia peniana e pela fisioterapia.

Biscaia Fraga é responsável por uma técnica inovadora que “além de corrigir o defeito, aumenta tridimensionalmente o pénis, quer em espessura que em comprimento”.

“Sumariamente, esta técnica consiste em desagregar ou dissolver a placa fibrosa e dura com agente químico e, de seguida, preencher aquele espaço e corrigir o defeito de curvatura com tecido adiposo do próprio, adequadamente colhido e centrifugado, associado ao plasma do paciente”, explica assegurando uma elevada taxa de sucesso.

Após a cirurgia, a reabilitação peniana assume igual importância. “A reabilitação pós-cirúrgica passa por aplicar diferentes técnicas físicas, como massagem, drenagem linfática manual, ultrassom e terapias de estiramento”, explica Joana Ponte, fisioterapeuta Urogenital. Tendo como principal objetivo minimizar a retração peniana e promover uma melhor evolução e cicatrização.

“O uso de uma terapia de tração é essencial após um procedimento de excerto peniano, de forma a manter o comprimento. Esta técnica deverá ser iniciada três a quatro semanas depois da cirurgia, dependendo da evolução do paciente”, conclui.

Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
ShutterStock