Doença infecciosa

Tuberculose

Atualizado: 
03/07/2019 - 11:46
A tuberculose é uma infecção contagiosa, potencialmente mortal, causada por uma bactéria que se encontra no ar.
Evolução da tuberculose no pulmão

O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença infecciosa, grave e potencialmente mortal quando não tratada. A doença é causada por uma bactéria chamada Mycobacterium tuberculosis, M. bovis ou M. africanum. O Myobacterium tuberculosis é também conhecido por bacilo de Koch, por ter sido identificado por Robert Koch.

Como se transmite a tuberculose?

É uma doença transmitida pelo ar, que pode atingir todos os órgãos do corpo, mas especialmente os pulmões, que constituem a porta de entrada do microrganismo no indivíduo e o ponto inicial da doença.

Em Portugal a incidência da tuberculose é ainda muito alta, superior à maioria dos países com o nosso desenvolvimento económico. Calcula-se que em Portugal surjam anualmente mais de 3 mil novos casos da doença, sendo que a esmagadora maioria cura-se e a mortalidade é baixa. É, no entanto, a doença mais frequente entre as pessoas de idade avançada.

Os seres humanos padecem de tuberculose desde a Antiguidade. Ela converteu-se num imenso flagelo na Europa durante a Revolução Industrial, quando as cidades se povoaram de forma exagerada e representou então mais de 30% dos óbitos.

Com o desenvolvimento dos antibióticos, a batalha contra a tuberculose parecia ganha. Contudo, em meados da década de 80, o número de casos em alguns países começou novamente a aumentar. A SIDA, juntamente com o excesso populacional e as más condições sanitárias de muitas zonas urbanas, os albergues para pessoas sem casa e as prisões, fez com que voltasse a ser um problema grave de saúde pública.

Actualmente nos países desenvolvidos, a tuberculose só se transmite inalando ar contaminado com Mycobacterium tuberculosis num ambiente fechado. Para que o ar se contamine, uma pessoa com tuberculose activa terá de expelir as bactérias com a tosse e estas poderão permanecer no ar durante várias horas.

No entanto, um feto pode adquirir tuberculose através da mãe, antes ou durante o nascimento, por respirar ou engolir líquido amniótico infectado, e um lactente pode contrair a doença, depois de nascer, ao respirar ar que contenha gotículas infectadas.

Sintomas da tuberculose

De início, uma pessoa infectada pode simplesmente não se sentir bem ou ter uma tosse que é atribuída ao tabaco ou a um episódio recente de gripe. A tosse pode produzir uma pequena quantidade de expectoração verde ou amarela pela manhã. A quantidade de expectoração aumenta habitualmente à medida que a doença progride. Finalmente, a expectoração pode surgir raiada de sangue.

Outro dos sintomas mais frequentes é o facto de se acordar durante a noite empapado num suor frio que obriga a pessoa a mudar de roupa ou mesmo a trocar de lençóis. Este suor é devido à descida da ligeira febre de que o doente se não apercebe.

A dificuldade em respirar pode indicar a presença de ar (pneumotórax) ou líquido (derrame pleural) no espaço da pleura.

Estes sintomas concorrem habitualmente para uma deterioração do estado de saúde geral, que deve fazer pensar no diagnóstico de tuberculose. São também estes os sintomas que caracterizam a forma mais comum de doença activa – a doença pulmonar.

As formas de doença extrapulmonar são menos frequentes e não são contagiosas, sendo mais comuns nas crianças e nos indivíduos imunodeprimidos. Os sintomas de tuberculose extrapulmonar podem ser muito variados de acordo com a localização da doença e a sua gravidade.

Diagnóstico da tuberculose

Em geral, o primeiro indício de tuberculose é uma radiografia do tórax anormal, efectuada no contexto de uma avaliação para diagnosticar uma doença com sintomas muito vagos. Na radiografia, a doença manifesta-se como zonas brancas irregulares que contrastam com o fundo normalmente escuro, embora outras infecções e o cancro possam dar as mesmas imagens. Também pode revelar a presença de derrame pleural ou mesmo um aumento da silhueta do coração (pericardite).

O diagnóstico depende dos resultados da prova cutânea da tuberculina e do exame da expectoração, no qual se pesquisa o Mycobacterium tuberculosis.

Factores de risco da tuberculose

A tuberculose pode afectar qualquer pessoa, embora haja circunstâncias que favorecem o seu aparecimento, como, por exemplo, os extremos de idade – as crianças muito jovens e os idosos constituem grupos particulares de risco.

Há ainda uma outra série de factores muito diversos – que vão desde a susceptibilidade genética à toma de certas medicações, ou à presença de certas doenças e comportamentos – que podem favorecer a infecção ou contribuir para debilitar a imunidade.

As imunodeficiências – nomeadamente a SIDA, a diabetes, a doença renal crónica, as doenças oncológicas, a silicose ou as doenças do tecido conjuntivo – são bons exemplos de doenças que podem comprometer a imunidade, aumentar o risco de tuberculose e influenciar, pela negativa, o sucesso do seu tratamento.

A toma prolongada de corticóides, o uso de agentes imunossupressores ou citotóxicos e a terapêutica com agentes biológicos que influenciem a resposta imune podem criar condições favoráveis à reactivação de uma tuberculose latente.

Qualquer indivíduo que, por razões pessoais, profissionais ou humanitárias apresente contactos frequentes, prolongados ou muito próximos com pessoas doentes ou com grupos populacionais em que a prevalência de tuberculose é elevada tem um maior risco de infecção e de doença. Tal pode verificar-se em ambientes tão díspares como o contacto domiciliário ou o que se verifica nas instituições de saúde, nas prisões ou em campos de refugiados.

Tratamento da tuberculose

Em quase todas as situações os antibióticos curam mesmo os casos mais avançados de tuberculose. Os antibióticos que se podem utilizar são vários e a sua eficácia é tal que uma só bactéria em cada milhão escapa ao seu efeito. Como consequência, é necessário administrar pelo menos dois fármacos com mecanismos de acção diferentes que, associados, possam destruir virtualmente todas as bactérias. O tratamento deve continuar inclusivamente muito depois de o doente se sentir completamente bem, porque leva muito tempo até conseguir eliminar aquelas bactérias de crescimento lento e reduzir a possibilidade de recaída quase a zero.

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Fonte: 
Manual Merck
alert-online.com
Nota: 
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