Dia Mundial da Esclerose Múltipla

Saiba o que é a Esclerose Múltipla

Em Portugal existem cerca de 6 mil doentes com Esclerose Múltipla, uma doença inflamatória crónica que afeta o sistema nervoso central. Falta de coordenação motora, falta de força, formigueiro ou perda de sensibilidade são algumas das principais manifestações. Para assinalar o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, o especialista em neurologia, José Vale, descreve-nos esta patologia.

O que é a EM?

A Esclerose Múltipla (EM) é uma inflamatória crónica que afeta exclusivamente sistema nervoso central (SNC - encéfalo e medula espinhal). As causas da doença são ainda mal conhecidas admitindo-se que esta resulte de uma combinação de fatores genéticos e ambientais (ex. infeções virais, défice de vitamina D, hábitos tabágicos); esta combinação desfavorável leva a uma alteração do sistema imunológico com hiperatividade de algumas células (linfócitos T e B) as quais, em vez de manterem uma ação protetora, começam a atacar o SNC e a provocar o aparecimento de lesões. Estas lesões ocorrem principalmente nas regiões mais ricas em mielina (substância branca que envolve os prolongamentos dos neurónios) causando assim os défices que caracterizam a doença. Por afetar predominantemente a mielina e provocar o aparecimento de lesões cicatriciais (placas), a EM também é conhecida como ‘doença desmielinizante’ ou ‘Esclerose em placas’.

Epidemiologia

A EM afeta predominantemente adultos jovens entre os 20-40 anos (pico de incidência 30 anos) e, como a generalidade das doenças imunológicas, atinge mais as mulheres que os homens (3:1). Em Portugal existem cerca de 6000 doentes, número que traduz uma prevalência média se compararmos com a distribuição da doença pelo Mundo.

Clínica

As manifestações clínicas dependem da localização das lesões e são muito variáveis de doente para doente.

Os sintomas mais habituais são: motores (ex. falta de força, falta de coordenação), sensitivos (ex. perda de sensibilidade, formigueiros), visuais (ex. perda aguda de visão, visão dupla), esfincterianos (ex. incontinência urinária). Outros sintomas igualmente importantes são a fadiga, uma das queixas mais frequentes e incapacitantes, a disfunção cognitiva (ex. défices de memória e de atenção) e as perturbações emocionais (ex. ansiedade e depressão).

Na grande maioria dos doentes a doença evolui por surtos – aparecem sintomas que se instalam de forma aguda ou sub-aguda (em dias ou semanas) e que tendem a regredir completa ou parcialmente.

Com o evoluir da doença há uma tendência para que os surtos se atenuem e a doença se torne lentamente progressiva (formas secundárias progressivas). Numa pequena percentagem de doentes, a doença é progressiva desde o seu início (formas primariamente progressivas).

A acumulação dos défices neurológicos e a incapacidade funcional daí resultante interfere significativamente com a qualidade de vida e, pelas suas complicações, pode determinar uma redução da esperança média de vida.

Diagnóstico

Na ausência de um teste específico que permita identificar a EM, o diagnóstico é estabelecido com base nos aspetos clínicos e no resultado de alguns outros exames complementares, dos quais se destaca a Ressonância magnética.

O diagnóstico exige muitas vezes conhecimento e experiência na doença, pelo que em casos de suspeita de EM, a situação deve ser avaliada por um neurologista com experiência nesta área.

Tratamento

A EM é ainda uma doença incurável. Todavia, nas últimas 2 décadas, registaram-se desenvolvimentos notáveis no tratamento com o aparecimento de múltiplos fármacos capazes de conter o processo inflamatório e assim reduzir o aparecimento de lesões no SNC.

Muitos outros estão atualmente a ser ensaiados e temos a expectativa de que estes fármacos ditos imunomoduladores, mesmo não curando a doença, consigam interferir na sua história natural reduzindo dramaticamente as suas consequências.

Para além disso, há muitas opções para minimizar os sintomas, incluindo tratamento farmacológico e fisioterapia. 

Dr. José Vale - Neurologista Coordenador do serviço de Neurologia do Hospital Lusíadas Lisboa
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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