Causas, sintomas e tratamento

Rouquidão: o que é e o que fazer?

Atualizado: 
16/04/2019 - 10:31
Os cuidados com a voz são essenciais evitar o aparecimento de rouquidão e outras alterações na qualidade da voz. Com a ajuda do otorrinolaringologista Rudolfo Montemor, explicamos quais causas e o tratamento daquela que é a disfonia mais frequente.

A expressão “rouquidão” é usada para descrever qualquer alteração na qualidade da voz, seja fraqueza, tremor, mudança de tom ou até mesmo ausência de voz. O termo médico equivalente é “disfonia” (ou “afonia” quando o doente não consegue falar).

O som é gerado através da passagem do ar na laringe, durante a expiração, fazendo oscilar as cordas vocais e ressoando posteriormente na faringe e nariz, que pode alterar o timbre. Para a voz ser eficaz, todos os seus componentes têm de funcionar corretamente, seja a parte muscular, a cartilagem, os nervos ou as próprias cordas vocais. Logo, uma falha em qualquer destes componentes pode levar a uma “rouquidão”.

As causas de “rouquidão” podem ser orgânicas (com doença objectiva) ou funcionais (psicossomáticas). Qualquer doente com queixas persistentes, em especial se houver fatores de suspeição – como tabagismo, alcoolismo, saída de sangue pela boca, dor de garganta ou ouvido que não melhora, dificuldade na deglutição ou perda de peso inexplicada – devem ser investigados em consulta de Otorrinolaringologia.

As causas mais frequentes são as seguintes:

  • Laringite aguda: inflamação da garganta, causada por vírus ou bactéria, que dura habitualmente menos de 3 semanas e está associada a infecções da via aérea superior (com queixas tipo gripe);
  • Laringite crónica: inflamação da garganta que dura mais de 3 semanas, está habitualmente associada a causas não infecciosas, como irritantes químicos, refluxo gastro-esofágico, corrimento nasal por sinusite ou disfonia por tensão muscular (onde há um esforço desadequado para falar);
  • Lesões benignas: edema de Reinke (que é o inchaço das cordas vocais por tabagismo), pólipos e nódulos das cordas vocais (habitualmente por abuso vocal, ou seja, situações em que há um esforço exagerado para falar, muito comum entre os professores e educadores de infância);
  • Lesões malignas: cancro da laringe ou até mesmo do pulmão ou tiróide (podendo causar paralisia das cordas vocais)
  • Disfunções neurológicas: causando paralisia das cordas vocais, por doença do Sistema Nervoso Central (como AVC, esclerose múltipla, miastenia gravis, doença de Parkinson), pós-cirurgia da tiróide ou até pode não haver nenhuma causa evidente;
  • Doenças funcionais (não orgânicas): pode ser por ansiedade, nervosismo, haver contrações involuntárias das cordas vocais ou até pode não haver nenhuma causa evidente;
  • Presbifonia: o envelhecimento de todo o aparelho da fala, causando uma fraqueza dos músculos com consequente voz frágil, mais aguda.

A larga maioria das situações é benigna, habitualmente por laringite aguda, pólipos e nódulos das cordas vocais e doenças funcionais. Há cuidados que devemos ter de uma forma transversal nas “rouquidões”, nomeadamente a evicção tabágica, o aumento de ingestão de água e o repouso da voz, evitando falar.

Quando está em causa uma situação causada pelo esforço desadequado para falar – como nódulos das cordas vocais – o tratamento pode passar por Terapia da Fala, onde se pode reeducar o doente a ter uma voz mais eficaz.

Nas situações mais graves, como os cancros, o tratamento pode passar por cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia.

O diagnóstico é bastante simples, bastando para isso uma simples observação em consulta de Otorrinolaringologia e, se necessário, uma endoscopia da laringe, que é um exame bastante rápido e simples e que permite observar diretamente as cordas vocais.

A mensagem final é a seguinte: nunca deixe uma “rouquidão” persistir durante muito tempo sem ser observada pelo médico, especialmente se for fumador e/ou beber álcool. A prevenção e o diagnóstico precoce são a melhor solução.


Dr. Rudolfo Montemor - Otorrinolaringologista no Hospital Lusíadas Lisboa

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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