Doença degenerativa

Osteoartrose: o que precisa saber sobre a doença que afeta 2 milhões de portugueses

Afeta cerca de dois milhões de portugueses e é uma das principais causas de incapacidade na pessoa idosa. Resultando nos tão conhecidos “bicos de papagaio”, a Osteoartrose é uma doença degenerativa da cartilagem articular que, para além de causar dor e rigidez, limita os movimentos. Com a ajuda do especialista em ortopedia, Carlos Martinez Evangelista, reunimos os pontos essenciais sobre a patologia neste artigo.

A Osteoartrose é uma doença degenerativa da cartilagem articular que é um tecido conjuntivo flexível que se encontra nas extremidades dos ossos que se articulam entre si. A cartilagem articular é nutrida pelo líquido articular ou líquido sinovial. Este contribui para a lubrificação da articulação, facilitando os seus movimentos para que as cartilagens deslizem umas sobre as outras sem desgaste. Na osteoartrose a cartilagem da articulação úlcera e o osso reage, dando origem a proeminências, conhecidas vulgarmente por “bicos de papagaio”.

Deformação articular é o sintoma mais avançado da doença

Os sintomas mais comuns são: dor que surge com o movimento/esforço de intensidade variável, dificuldade em iniciar movimentos após repouso, Deformidade e limitação da mobilidade articular

Doença atinge 2 milhões de portugueses

As doenças reumáticas são, segundo Programa Nacional Contra as Doenças Reumáticas (PNCDR), publicado em 2004 pela DGS, o primeiro motivo de consulta nos cuidados de saúde primários e são também a principal causa de incapacidade temporária para o trabalho e de reformas antecipadas por doença/invalidez.

Olhando para os dados do EpiReumaPt - o primeiro estudo epidemiológico nacional sobre doenças reumáticas que abrangeu mais de 10 mil pessoas, percebemos que 24% da população sofre de osteoartrose, sendo o joelho (12,4%), mãos (8,7%) e anca (2,9%) as articulações mais afetadas. Com este estudo podemos concluir que a osteoartrose é a segunda maior patologia mais frequente na população, no entanto o PNCDR considera a osteoartrose como a principal causa de incapacidade da pessoa idosa, associando-se frequentemente, neste grupo etário, a outras doenças por vezes incapacitantes.

O EpiReumaPt que analisou o impacto da doença reumática (que afeta dois milhões de portugueses) alerta-nos também para o facto de quase 70% dos doentes com osteoartrose entre os 50 e os 65 anos estarem a trabalhar.

Mulheres são as mais atingidas

É uma doença que afeta mais as mulheres segundo o EpiReumaPt a osteoartrose afeta 32,6% das mulheres e 14,5% dos homens.

Os fatores hormonais, associados aos desequilíbrios musculares são uma das principais causas de risco de osteoartrose nas mulheres, por isso, o período pós-menopausa pode ser mais propício ao desenvolvimento da doença.

A evolução da doença pode variar de doente para doente

A osteoartrose poderá afetar um leque variado de pessoas, no entanto existe a seguinte população com risco acrescido: mulheres pós-menopáusicas, pessoas idosas, trabalhadores com atividades físicas repetitivas ou com alterações da ergonomia e desportistas amadores ou ocasionais.

Cada caso é analisado de forma individual e a evolução da doença pode variar, consoante as praticas, tratamentos e características da saúde de cada um.

Idade é o principal fator de risco, mas não é o único

O risco de osteoartrose aumenta com a idade sendo, mais comum nas mulheres, onde a obesidade é um dos principais fatores de risco, e não só pelo fator mecânico do peso como também pelos desequilíbrios musculares.

Existem fatores de risco articular, como a existência de faturas antigas que com o tempo irão conduzir a um processo artrosico prematuro da articulação, por alteração dos vetores de força na superfície articular em causa.

Outro dos fatores de risco pode ser a própria profissão, pois se esta condicionar um stress articular, obviamente que levará a artrose. Nestas alturas pensamos sempre nos desportistas de alto rendimento, quer seja do futebol, andebol, halterofilismo ou outros mais. Mas também existem hoje jogos, particularmente de consolas que levam à artrose dos polegares (rizartrose), por uso desmesurado destas.

Podemos também considerar a falta de atividade como um facto de risco da artrose, pois a inatividade leva a uma rigidez, falta de lubrificação, perda de mobilidade e desgaste por desuso.

Também devem ser ponderados e vigiados os desalinhando articulares, como causa futura de artrose.

Incidência aumenta a partir dos 40 anos

Pensado que um fator de risco trata-se da idade, considera-se que é mais frequente o desenvolvimento de osteoartrose em idade mais avançadas. Até aos 40 anos a incidência da doença é menor. A partir dessa faixa etária pode aumentar, mas tendencialmente afeta mais os idosos.

Cuidados alimentares e exercício físico essenciais em matéria de prevenção

Para lidar e prevenir a osteoartrose existe uma combinação de fatores que devem ser tidos em conta. Alguns dos principais são a alimentação, o exercício físico, privilegiando os alongamentos e sem carga, assim como a medicação específica ou a suplementação adequada. Do ponto de vista da suplementação são interessantes as soluções que combinam a glucosamina com nutrientes ómega 3, por garantirem resultados nutricionais satisfatórios. As dosagens diárias recomendadas são: Glucosamina 1500mg, Condroitina 1200 mg, Ómega 3 400 mg e metilsulfonilmetano 2000 mg.

Do ponto de vista da alimentação, há estudos que confirmam que os alimentos ricos em ácidos gordos ómega3, frutos e legumes ricos em vitaminas e antioxidantes são essenciais para manter a saúde articular, sendo que a suplementação adicional pode efetivar a absorção dos nutrientes e vitaminas necessários, uma vez que a capacidade do corpo de absorver alguns nutrientes torna-se menos eficiente com a idade, tornando-se mais difícil obter todas as vitaminas e minerais necessários para uma boa saúde.

O exercício físico regular deve acompanhar a alimentação saudável de forma a assegurar e prevenir a incapacidade de movimentos.

Tratamento promove a melhoria da função articular 

Enquanto o doente se preocupa apenas com a redução da dor e terminar rapidamente com o sofrimento, os médicos são obrigados a pensar noutras vertentes de tratamento, focando a prevenção ou atraso da progressão das lesões estruturais, ou seja, tentar prevenir a destruição e a deformidade da articulação, de modo a promover a melhoria da função articular e em última instância da qualidade de vida.

Os tratamentos não farmacológicos consideram-se: educação do doente (incluindo alteração dos hábitos de vida, dieta, perda de peso e parar de fumar) assim como o exercício físico. A par destes consideramos também a fisioterapia – que se mostrou benéfico principalmente para a osteoartrose das mãos, ortóteses adaptadas a cada doente (palmilhas para corrigir diferenças de tamanho entre os membros inferiores ou alterações dos pés), crioterapia (Massagem com gelo, compressas frias), Estimulação elétrica (TENS) e Ultrasons.            

A abordagem do tratamento com fármacos poderá passar por: analgésicos (paracetamol e opióides), AINEs, Anti-artrósicos de ação lenta, Glucocorticóides intra-articulares e Viscossuplementação (ácido hialurónico intraarticular).

Orientações EULAR (European League Against Rheumatism) para Tratamento conservador da AO joelho – 2003:

  • Otimização da combinação entre tratamento não farmacológico e farmacológico.
  • De acordo com fatores de risco, gravidade da dor, presença ou ausência de derrame articular e do grau radiológico de OA.
  • Tratamento não farmacológico: perda de peso; ortóteses; fisioterapia
  • Paracetamol analgésico de 1ª linha para uso prolongado, se efetivo.
  • AINEs tópicos são efetivos (tal como AINEs orais)
  • Analgésicos opióides podem ser usados se Paracetamol ou AINE são ineficazes ou mal tolerados
  • Symptomatic slow-acting drugs (SYSADOA) constituem um tratamento sintomático eficaz
  • Injeção de corticosteróides para tratar dor severa e derrame intra-articular

É importante sublinhar que a utilização de estratégias multidisciplinares conjuntas é fundamental para a otimização dos resultados.

 

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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