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A importância do Exercício Físico no doente com DPOC

Atualizado: 
26/07/2017 - 10:53
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença progressiva e irreversível que afeta os brônquios e pulmões. Ocorre principalmente por exposição inalatória de partículas ou gases nocivos e está associada ao hábito de fumar. Inicialmente os sintomas podem ser ligeiros, como tosse acompanhada por expetoração. Posteriormente, surge o cansaço fácil e falta de ar, em atividades da vida diária como subir escadas, fazer desporto ou até na atividade sexual. A doença evolui ao longo de vários anos para a insuficiência respiratória, surgindo sintomas como a perturbação da memória e a dificuldade de concentração entre outros. Muitas vezes a vida destes doentes resume-se a ficar em casa, sem fazer esforços, o que tem repercussões na vida social e profissional, o que está associado a uma pior evolução da doença.

Hoje sabe-se que a atividade física deve ser parte integrante da nossa vida, sempre. Todos os estudos demonstram que a integração de uma pessoa com DPOC (com ou sem compromisso importante da função pulmonar) num plano de exercício ou a inserção em um programa de Reabilitação Respiratória apresenta excelentes resultados e dá esperança a todos os que se preocupam com a qualidade de vida destas pessoas. No entanto, os últimos dados revelaram uma triste realidade – apenas menos de 1% destes doentes têm acesso a este tipo de recurso, o que é muito, muito insuficiente. A grande esperança é que com uma maior exposição pública da doença, a pouco e pouco, seja possível aumentar a oferta disponível no Sistema Nacional de Saúde e Entidades Privadas, de forma a que seja cada vez mais acessível a toda a população. Este foi um dos nossos grandes objetivos quando iniciamos o nosso site, DPOC.pt.

A Reabilitação Respiratória é uma intervenção multidisciplinar integrada e dirigida a um conjunto de problemas inerentes ao estado de saúde físico e psicológico do doente em que a terapêutica farmacológica, por si só, é incapaz de abordar adequadamente. Consiste em um conjunto de medidas, desde conselhos, a cuidados de nutrição, medidas de conforto ou treino específico que visam reduzir sintomas, otimizar a autonomia e capacidade funcional, aumentar a participação social e reduzir custos, através da reabilitação e recuperação da função respiratória que a DPOC atinge, melhorando a sua qualidade de vida. Estes resultados são melhores se a pessoa fizer parte de um plano em que exista treino dedicado a fortalecer os músculos respiratórios, de modo a atrasar o avanço da doença, tornar os seus músculos mais fortes e funcionais, melhorando a capacidade de realizar mais esforços com menor cansaço e com menos falta de ar. E ainda há mais, alguns estudos sugerem mesmo uma melhoria da performance cognitiva, possivelmente devido ao aumento de irrigação sanguínea cerebral.

Segundo a Direção-Geral da Saúde os custos associados aos internamentos por doenças respiratórias atingiram 213 milhões de euros em 2013 e o custo médio de um internamento por doença respiratória foi, em 2013 de 1.892 Euros. Então, se o doente realizar exercício ou estiver na Reabilitação Respiratória estará melhor e assim poupará anos de sofrimento e a sua saúde, mas também permitirá que os recursos de saúde não sejam gastos desnecessariamente.

Para finalizar relembremos a frase de Alvan Barach “Remember to cure the patient as well as the disease” (lembre-se de curar o doente tão bem quanto a doença) que apresenta em 1952, pela primeira vez, o treino de exercício no doente com enfisema.

Autor: 
Dr. João Cravo - Médico no Serviço de Pneumologia A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.