Apesar dos avanços, ainda estão subavaliadas

Doenças pulmonares de origem ocupacional

Atualizado: 
15/09/2014 - 16:21
Os pulmões são sede de inúmeras doenças, sendo que as mais frequentes são as pneumonias, neoplasias e as doenças profissionais.
Doenças pulmonares trabalho

O pulmão, com os seus 350 milhões de alvéolos, a que corresponde uma superfície aproximada de 70 metros quadrados, é a principal interface entre o organismo e o ambiente, estando assim sujeito às mais variadas exposições: fumos, poeiras, gases e vapores produzidos ou utilizados em meio laboral.

As doenças pulmonares de origem ocupacional, comummente chamadas de profissionais, devem-se à inalação de partículas nocivas, nuvens, vapores ou gases no local de trabalho. O local exacto das vias aéreas ou dos pulmões aonde chega a substância inalada e o tipo de doença pulmonar que desencadeia dependem do tamanho e do tipo das partículas.

As maiores podem ficar retidas no nariz ou nas vias aéreas superiores, mas as mais pequenas atingem os pulmões. Uma vez ali, algumas partículas dissolvem-se e podem passar para a corrente sanguínea; as defesas do corpo eliminam as mais sólidas que não se dissolvem.

O organismo tem vários mecanismos para eliminar as partículas aspiradas. Nas vias respiratórias, o muco cobre as partículas de modo que seja fácil expulsá-las através da tosse. Nos pulmões, existem células depuradoras especiais que engolem a maioria das partículas e as tornam inofensivas.

Mas os diversos tipos de partículas produzem diferentes acções no organismo. Algumas causam reacções alérgicas, como o pólen das plantas, responsável pela febre do feno ou por um tipo de asma. As partículas como o pó de carvão, o carvão e o óxido de estanho não produzem muita reacção nos pulmões. Outras, como o pó de quartzo e de amianto podem causar cicatrizes permanentes no tecido pulmonar (fibrose pulmonar). Em quantidades importantes, certas partículas, como o amianto, podem causar cancro nos fumadores.

Portugal não se afasta significativamente dos seus parceiros da União Europeia no que toca à incidência e prevalência de doenças respiratórias profissionais. No entanto, apesar de as doenças respiratórias possuírem uma elevada repercussão na qualidade de vida dos trabalhadores, existe um grupo destas doenças que se encontram subavaliadas.

De salientar que as doenças ocupacionais pulmonares podem ocorrer em várias profissões e com diferentes graus de gravidade, uma vez que vai depender da susceptibilidade do indivíduo, da intensidade da exposição, do tipo de exposição, do tipo de partículas (orgânicas, inorgânicas ou sintéticas), do seu tamanho, densidade, solubilidade e carga eléctrica. Por outro lado, a manifestação destas doenças pode ocorrer de uma forma aguda ou crónica, insidiosamente ao longo de décadas, constituindo um grupo de doenças com elevada repercussão na qualidade de vida dos trabalhadores afectados.

As várias doenças pulmonares ocupacionais
As principais doenças respiratórias ocupacionais são silicose, pulmão negro, asbestose, bronquite, beriliose, asma profissional, bissinose, exposição a gases e substâncias químicas, pneumoconiose benigna, pneumonites de hipersensibilidade, doenças infecciosas e cancro.

Contudo, entre as doenças profissionais respiratórias mais notificadas como tendo a sua origem/agravamento na actividade profissional ou no ambiente em que esta é desenvolvida, destacam-se a asma ocupacional, as pneumonites de hipersensibilidade e as pneumoconioses.

A asma profissional, que nos países industrializados é a causa mais frequente de doença ocupacional, manifesta-se por episódios de tosse, pieira e dispneia; podendo atingir, por exemplo, os padeiros, como consequência de uma exposição continuada ao pó dos cereais.

As pneumonites de hipersensibilidade, de que é exemplo a suberose que atinge os trabalhadores da indústria da cortiça, são doenças imunológicas do pulmão causadas por exposição a alergéneos orgânicos.

Já as pneumoconioses resultam da acumulação no interstício pulmonar de partículas inorgânicas (sílica, carvão, berílio, cobalto, etc.). A silicose é a doença fibrosante do pulmão com maior prevalência no mundo e atinge sobretudo trabalhadores da indústria da cerâmica, mineiros e pedreiros. Os profissionais de saúde estão, também eles, sujeitos a doenças profissionais, tendo neste contexto especial relevo a tuberculose pulmonar.

Das neoplasias pulmonares e pleurais ocupacionais realçam-se as provocadas pelas fibras de asbesto, presentes no amianto. Pelo facto de ser um excelente isolante, este material foi largamente utilizado na construção naval, civil e na indústria automóvel durante o século XX.

Reconhecer a atribuição de incapacidades
Consideram-se doenças profissionais todas aquelas cuja origem esteja relacionada com a actividade ou o ambiente em que a mesma se desenvolve.

Em Portugal, é ao Centro Nacional de Protecção contra os Riscos Profissionais que compete o reconhecimento e a atribuição de incapacidades resultantes de doença profissional.

Apesar do esforço que tem vindo a ser desenvolvido no sentido de identificar determinadas doenças, nem sempre existe uma associação directa da causa/efeito.

Fonte: 
Manual Merck
Jornal do Centro de Saúde
O Interior
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Foto: 
ShutterStock