Opinião

Dançar é terapêutico

Melhora o humor, aumenta a concentração, ajuda a dormir melhor e alguns estudos revelam que dançar ajuda a prevenir doenças mentais. Neste artigo a psicoterapeuta Alexandra Pereira mostra-lhe o que a dança pode fazer por si.

A dança é um dos hobbies mais abrangentes do mundo. Todos podem dançar, seja uma pessoa sozinha num ligeiro embalo, seja uma dança de duas ou mais pessoas, seja num bairro de pescadores solitários ou numa grande cidade agitada. A dança é uma das formas mais primitivas de expressar a vida humana.

Outrora dançava-se pela vida, pela sobrevivência. O homem dançava para a natureza em busca de alimentos, de água, de sol…hoje em dia a dança ultrapassou barreiras e fronteiras e pode ser vista como uma excelente forma de complementar tratamentos, seja pela interação social ou pelo prazer em dançar.

A dança é um dos melhores exercícios que existe. Mesmo seguindo padrões e coreografias pode ser feita livremente e com movimento de todas as partes do corpo. A dança como exercício regular traz múltiplos benefícios à saúde física e mental e em alguns casos ajuda até no tratamento de algumas doenças. Estudos levados a cabo por investigadores canadianos confirmam que pessoas que sofrem de reumatismo podem dançar um ritmo mais relaxado melhorando a saúde física e mental, bem como ajuda na redução da dor.

Um outro estudo realizado nos EUA concluiu que a dança na terceira idade pode reduzir significativamente o aparecimento de demência.

Ao dançarmos trabalhamos ativamente a nossa memória, quer durante os exercícios aeróbicos, quer nas coreografias através da coordenação e repetição de séries. Estamos, portanto, a prevenir doenças mentais e a retardar o envelhecimento, como a perda de memória e demência. Dançar permite que o sangue flua melhor para o cérebro. Dançar fará com que o cérebro fique ativo para pensar, para criar.

Qualquer forma de exercício é ótima para aliviar o stresse quer na mente, quer no corpo. Dançar não é diferente. Todos os movimentos podem estar relacionados a pensamentos e sentimentos, e a dança pode trazer uma alteração emocional e atitudinal quase que instantânea. Não precisa de saber dançar, apenas precisa de sentir a expressão das suas emoções em movimentos corporais espontâneos, e deixar fluir.

Na comunidade científica, um número crescente de investigadores revelou que enquanto dançamos há uma libertação de substâncias químicas, de endorfinas, que melhoram o humor, os níveis de concentração, ajudam a dormir melhor, a ter mais energia e a ser mais resiliente face a desafios mentais e emocionais da vida. Dançar permite melhorar a perceção de imagem corporal, aumenta a confiança, as habilidades sociais e de comunicação.

Curiosamente as palavras dança e emoção têm uma etimologia muito próxima, “emovere” que significa movimento. Então podemos dizer que as emoções são a essência do movimento, neste caso, pela dança.

A dança é uma ótima maneira de expressar emoções que verbalmente não se tornam tão fáceis. A dança pode afetar o nosso humor e o nosso bem-estar, desencadeando memórias e experiências emocionais. Só de ouvirmos uma música da nossa infância podemos criar uma sensação no nosso corpo que pode afetar de imediato o nosso humor e acionar memórias numa fração de segundos.

Hoje em dia são vários os processos de tratamento que incluem a dança como terapia. O uso terapêutico do movimento e da dança são primordiais para funções intelectuais, emocionais e motoras. É uma forma de terapia expressiva, analisando a relação entre o movimento e a emoção.

A dança é importante para a consciência do corpo, para a consciência do sentimento físico trazido pela experiência do movimento. Por outro lado, trata-se da libertação e expressão de emoções. A expressão é deixarmos expressar as nossas próprias experiências e sentimentos. É como abrir uma janela para deixar o sol brilhar, usando algumas emoções escondidas, reprimidas ou emoções como o medo, a frustração, a raiva, o amor…usando canais não-verbais para expressar e libertar esses sentimentos. Dançar é uma atividade social que nos permite estar em contacto com outras pessoas, compartilhar experiências, conhecer pessoas com a qual recebemos um efeito positivo sobre a nossa saúde mental.

Na dança há quase que uma combinação de sentimentos e movimentos no nosso interior, no nosso coração. E então deixamos de estar conectados somente com o nosso corpo, mas com tudo o que nos envolve.

Dra. Alexandra Pereira - Psicóloga e Psicoterapeuta Clínica da Mente
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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