A dor é atualmente um dos maiores problemas de saúde pública

Avanços no tratamento da Dor

Neste dia Nacional de luta contra a dor revisitamos algumas das mais recentes técnicas no tratamento da dor. Cerca de 70 por cento dos casos de dor crónica podem ser tratados quase de forma definitiva, evitando que o doente se cronifique nas unidades de dor. A dor crónica não tem que ser uma fatalidade!

A dor representa atualmente um dos maiores problemas de saúde pública afectando cerca de 20 a 30% da população. A dor aguda surge na sequência de um traumatismo, cirurgia, entre outros, e  representa uma defesa do organismo. Quando se prolonga por muito tempo (mais de três meses) estamos em presença de uma dor crónica que se torna ela própria uma doença.

Pode-se dividir a dor segundo a sua localização, origem e sintomas. Uma das grandes causas é o envelhecimento que provoca um desgaste dos ossos, nomeadamente da coluna vertebral, articulações etc. 

Atualmente estima-se que a dor crónica afecte 2 milhões de portugueses, com custos anuais de 2 mil milhões de euros por ano, com uma perda de 1,5 milhões de dias de trabalho anuais.

Na última década surgiram novas técnicas que, em muitos casos, evitam cirurgias e que oferecem soluções para melhorar a qualidade de vida dos doentes.

A radiofrequência, usada para a dor oncológica, artroses da coluna vertebral, instabilidade da coluna vertebral, dores pós-cirurgia da coluna ou hérnias discais.

Após anestesia local o médico insere uma agulha com uma ponta especial que emite radiofrequência e faz com que os nervos deixem de enviar estímulos dolorosos para o cérebro.

A Nucleoplastia  representa um avanço significativo no tratamento da hérnia discal. E  efectuado sem qualquer incisão na pele o que resulta num trauma mínimo e  recuperação rápida. Funciona como um Micro laser que provoca uma diminuição do tamanho do disco e uma estabilização do mesmo e “desliga” as fibras nervosas que provocam dor no disco.

A Vertebroplastia é um  método não cirúrgico para reconstrução de vértebras torácicas e lombares por fracturas devido a osteoporose, neoplasias, trauma etc. 

Ozonoterapia é uma técnica percutânea, em que o gás ozono é injetado, através de uma agulha de pequeno calibre, infiltrando-se tanto a nível do núcleo do disco como a nível dos músculos paravertebrais, favorecendo  a redução do conflito discorradicular e eliminando a sensação de dor.

O ozono é um gás seguro, não é tóxico e pode administrar-se com segurança, favorecendo o tratamento da dor e a diminuição da inflamação, usado para tratamento de artroses e patologia da coluna vertebral.

Os fármacos tem  evoluído muito, não só com o aparecimento de novas moléculas,   mas também com  novas formas de administração mais cómodas para os doentes.

A dor oncológica provocada por neoplasias representa um grande desafio para os médicos pelo sofrimento que provoca e pela dificuldade no seu controlo. Atualmente com as técnicas existentes consegue-se controlar a dor em muitos casos sem sobrecarga de fármacos.

Fibromialgia uma nova abordagem

A fibromialgia é uma patologia multicausal que não tem um tratamento único. É uma disfunção das estruturas musculares com perda de elasticidade e repercussão nos movimentos e resposta desproporcionada aos estímulos, provocando dor.

Para ser diagnosticado como fibromialgia o doente deve ter onze pontos dolorosos em 18 predefinidos.

É uma causa de isolamento social pela incompreensão que provoca, e o tratamento não é fácil, para além da medicação e da abordagem não farmacológica existem dois tratamentos relativamente recentes que representam uma nova esperança, a ozonoterapia e a cetamina.

A ozonoterapia induz uma maior oxigenação dos tecidos, reduz a inflamação e não tem efeitos secundários, assim melhora a função dos tecidos tornando-os mais elásticos.

A cetamina é um fármaco  que recentemente tem sido aplicado no tratamento da fibromialgia com bons resultados, este fármaco atua a nível dos receptores NMDA que estão envolvidos nesta doença.

Cefaleias, o pescoço como causa

As cefaleias cervicais ou cervicogéncias tem origem no pescoço, quer sejam provocadas pelo golpe do chicote, frequente em acidentes de viação ou de trabalho em que exista um traumatismo desta região ou por neoplasias, hérnias discais, artroses das articulações posteriores das vértebras, etc.

Aproximadamente 35 % da população sofre com estas cefaleias e em 15%  são crónicas.

O tratamento sempre foi um desafio sem alternativas para além da medicação. Recentemente surgiu uma nova técnica, a Radiofrequência que se tem revelado extremamente eficaz neste tipo de cefaleias.

A Radiofrequência é uma técnica com poucos riscos desde que efectuada por um médico experiente.

Enxaquecas

As dores de cabeça (cefaleias) intensas e incapacitantes são quase sempre apelidadas de enxaquecas, o que não é verdade na maior parte dos casos, são apenas 8 % das  cefaleias. Muito mais comuns são as cefaleias provocadas pelas doenças do pescoço e que podem dar sintomas como náuseas, vómitos, sensação de palpitações na cabeça, latejamento, etc, semelhantes aos das enxaquecas.

Tratar Hérnias Discais em 30 minutos

As hérnias discais são a causa mais comum de lombalgia e cervicalgia até aos 50 anos de vida. Atualmente, e para alguns tipos de hérnias, existem tratamentos que permitem o seu tratamento em cerca de 30 minutos com alta ao fim de uma hora. A ozonoterapia, a Nucleoplastia por radiofrequência são alguns desses métodos que surgiram nos últimos dez anos.

Dr. Armando Barbosa - Diretor Clínico da Paincare - Clínicas de Dor.
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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