Opinião

Tratamento inovador da tiróide

Atualizado: 
07/10/2026 - 07:31
A termoablação da tiroide representa uma mudança real de paradigma porque permite tratar o nódulo mantendo praticamente intacta a glândula e evitando a lógica clássica de “retirar para resolver”. Ao ser realizada com uma agulha fina guiada por ecografia, não implica incisões nem disseção cervical, o que se traduz numa agressividade muito inferior à cirurgia. O impacto estético é nulo, não há cicatriz visível e o procedimento decorre habitualmente em regime ambulatório, com alta no próprio dia, o que reduz de forma significativa o peso físico e psicológico associado ao tratamento.

Uma das vantagens mais relevantes, e muitas vezes subvalorizada, é a preservação da função tiroideia. Como apenas o nódulo é destruído e o restante parênquima é poupado, o risco de hipotiroidismo é muito baixo quando comparado com a cirurgia, evitando em muitos casos a necessidade de terapêutica substitutiva crónica com levotiroxina. Este aspeto é particularmente importante em doentes jovens e em mulheres, que constituem a maioria dos casos, e nos quais a manutenção da função hormonal tem impacto direto na qualidade de vida a longo prazo.

Do ponto de vista da eficácia, a termoablação não deve ser encarada como uma solução paliativa. Os estudos mostram reduções volumétricas consistentes e progressivas do nódulo, podendo atingir reduções muito marcadas ao longo do primeiro ano. Esta diminuição traduz-se numa melhoria clara dos sintomas compressivos, da sensação de desconforto cervical e das alterações estéticas, sendo que, nos nódulos autónomos, pode ainda permitir o controlo da função tiroideia sem necessidade de cirurgia ou terapêutica com iodo radioativo.

O perfil de segurança é outro ponto forte. A ausência de anestesia geral elimina um conjunto relevante de riscos, sobretudo em doentes com comorbilidades. As complicações são raras e, quando ocorrem, tendem a ser transitórias, sendo a lesão do nervo recorrente pouco frequente quando o procedimento é realizado por operadores experientes. Também o risco de infeção ou hemorragia significativa é muito baixo, o que contribui para uma perceção global de segurança superior à das abordagens cirúrgicas.

A recuperação é praticamente imediata, com retorno às atividades habituais em um a dois dias e sem necessidade de internamento. Isto contrasta de forma evidente com a cirurgia, que implica um período de convalescença mais prolongado e maior interferência na rotina diária. Para muitos doentes ativos, esta diferença é decisiva na escolha terapêutica.

Por fim, a precisão do método, assegurada pela orientação ecográfica em tempo real, permite tratar o nódulo de forma seletiva e controlada, preservando estruturas adjacentes críticas como o nervo recorrente, a traqueia ou o esófago. Este controlo contínuo durante o procedimento aproxima a termoablação de uma “cirurgia funcional sem bisturi”, combinando eficácia com um nível de segurança e de preservação anatómica difícil de alcançar por outras técnicas.

 

Autor: 
Dra. Teresa Dionísio - radiologista de intervenção
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.