PHDA no adulto

Acho sempre piada à ideia de que os diagnósticos persistem até aos 17 anos e 364 dias e, ao fazer 18 anos, desaparecem como que por magia. Claro que, sendo uma doença do neurodesenvolvimento, o curso da doença pode evoluir com o crescimento. Muitas vezes, quem tem a doença vai desenvolvendo estratégias (mais ou menos adaptativas) e, de facto, o cérebro também vai mudando.
No entanto, tal como acontece com outras doenças frequentemente presentes na infância, ao passar para a idade adulta, em alguns doentes os sintomas reduzem-se muito; noutros, mantém-se alguma sintomatologia residual; e, noutros ainda, a doença mantém-se de forma significativa. É nestes últimos que a doença causa maior disfuncionalidade e sofrimento, quer ao próprio quer aos que o rodeiam.
É também para as pessoas que mantêm a doença na idade adulta que hoje temos ferramentas diagnósticas e de intervenção que visam minorar a sintomatologia e tornar a vida menos difícil. Tal como me disse uma doente em consulta: “Passei a vida toda a achar que era incompetente… que nunca conseguia terminar nada…”.
Importa referir que o acompanhamento desta doente se iniciou não pela PHDA, diagnosticada mais tarde, mas sim por alterações do humor. O que nos leva a outro ponto: nem todas as pessoas que precisam têm diagnóstico e tratamento na idade adulta.
Vale a pena frisar que este é um diagnóstico médico, com critérios diagnósticos estabelecidos, e que carece de avaliação clínica. Além disso, alguns sintomas associados à PHDA também podem ocorrer noutras doenças.
Por fim, só por ser um indivíduo distraído não significa que tenha PHDA, tal como é muito bem satirizado neste sketch da Porta dos Fundos.
