Opinião

Saúde Cardiovascular: Medir Hoje para Proteger Amanhã

Atualizado: 
07/05/2026 - 06:53
A hipertensão arterial continua a ser um dos mais silenciosos e persistentes desafios de saúde pública, em Portugal. Estima-se que 43% da população portuguesa seja hipertensa. Esta patologia caracteriza-se pela elevada pressão sanguínea exercida, de forma crónica, na parede das artérias. Apesar do acesso aos cuidados de saúde, o controlo da pressão arterial permanece aquém do desejável, contribuindo de forma significativa para aumento do risco cardiovascular.

Com estes dados em mente, a equipa da Farmácia Holon BPlanet decidiu realizar um rastreio cardiovascular para avaliar a nossa comunidade. O que observámos foi o que tantas estatísticas antecipavam: uma grande prevalência de valores de pressão arterial elevados e dificuldades na adesão à terapêutica.  

Estes dados não são apenas números, refletem comportamentos, perceções e barreiras reais que observamos, diariamente, na farmácia comunitária e que comprometem a eficácia terapêutica.  

Uma das principais dificuldades detetadas foi a adesão à terapêutica, por diferentes motivos: perceção errada de que a ausência de sintomas significa ausência de doença, esquecimento da toma da medicação ou receio de efeitos secundários. Portanto, muitos participantes, embora previamente diagnosticados, não apresentavam um controlo adequado da pressão arterial. Esta realidade evidencia uma lacuna importante na literacia em saúde e reforça a necessidade de uma abordagem mais próxima, contínua e personalizada por parte de todos os profissionais de saúde.  

Outro dado particularmente relevante foi o número de situações que exigiram acompanhamento adicional. Dos 89 participantes, foram realizados 14 pedidos de reavaliação, dos quais resultaram 5 encaminhamentos médicos. Estes números, embora aparentemente modestos, traduzem a importância do rastreio precoce: identificar atempadamente indivíduos em risco permite intervir antes do aparecimento de complicações mais graves.  

As farmácias comunitárias, pela sua proximidade, acessibilidade e confiança estabelecida, são um local estratégico para deteção precoce, monitorização e educação para a saúde. O rastreio realizado demonstrou que estas intervenções têm impacto real, não só na identificação de casos não controlados, mas também na sensibilização dos utentes para a importância da vigilância regular. Mas não podemos ficar por aqui, rastrear não é suficiente, é importante garantir que os dados recolhidos se traduzem em mudanças de comportamento. A estratégia a implementar deverá passar pelo reforço da comunicação entre profissionais de saúde e utente, simplificação dos regimes terapêuticos e o acompanhamento regular destes doentes. 

 

Autor: 
Dra. Ana Raquel Lopes - Farmacêutica na Farmácia Holon BPlanet
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.