Saúde cardiovascular - cada movimento conta!

Em Portugal, mais de metade da população, admite não praticar qualquer exercício físico regular, com reflexo direto no peso crescente das doenças cardiovasculares, que continuam a ser a principal causa de morte.
A atividade e o exercício físico, contribuem para a redução do risco cardiovascular e de outras doenças, como as doenças oncológicas, a depressão e ansiedade, as demências, a osteoporose, doenças inflamatórias e respiratórias crónicas, a síndrome do intestino irritável e a obstipação.
O exercício físico aeróbico regular tem um impacto significativo no controlo de vários fatores de risco. Na hipertensão arterial, pode levar a reduções de 5-8 mmHg na sistólica (máxima) e de 2-4 mmHg na diastólica (mínima), comparável a alguns medicamentos. Na diabetes tipo 2, melhora a sensibilidade à insulina e o controlo glicémico, reduzindo a HbA1c em 0,5 a 0,7%. Já na obesidade, é a estratégia mais eficaz para reduzir a gordura visceral. Reduz também os níveis de ansiedade e depressão, que só por si, constituem fatores de risco cardiovascular independentes.
Recomenda-se pelo menos 150 a 300 minutos semanais de exercício aeróbico de intensidade moderada (ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa), complementados com dois ou mais dias de treino de força muscular. Atingir estes objetivos, mesmo que de forma gradual e progressiva, confere benefícios cardiovasculares substanciais.
Antes de começar o exercício físico, ou intensificar a prática desportiva, é importante realizar uma avaliação cardiovascular, para identificar condições que exigem tratamento prévio ou adaptação do programa de exercício, particularmente nos jovens desportistas, no desporto de competição e nos adultos sedentários ou pouco ativos, com maior risco de doença coronária aterosclerótica. Recomenda-se a avaliação do risco cardiovascular global, utilizando ferramentas adequadas, identificando sintomas de alarme, como dor torácica e dispneia desproporcionada ao nível de esforço, palpitações e síncopes (“desmaios”). Nos casos de risco intermédio a elevado, está indicado realizar prova de esforço ou outros meios de diagnóstico cardiológico.
O mais importante é combater a inatividade física, tendo em conta que o exercício não exige ginásio nem equipamento: três caminhadas de dez minutos por dia conferem benefícios cardiovasculares comparáveis a trinta minutos contínuos. Atividades recreativas como a jardinagem ou a dança, têm um impacto real na saúde, com taxas de adesão a longo prazo superiores ao exercício formal. Valorizar e potenciar o que o doente já faz é, muitas vezes, o primeiro passo clínico, e o mais eficaz.
Na realidade, cada movimento conta!
